Um estudo realizado com quase 10.000 testes reais de baterias revela quais os modelos elétricos que melhor resistem à degradação. Alguns mantêm mais de 95% da capacidade original depois de percorrerem 100.000 quilómetros.
A degradação da bateria continua a ser uma das principais preocupações de quem procura um automóvel elétrico usado. Afinal, trata-se do componente mais caro de um veículo deste tipo e a possibilidade de uma perda significativa de autonomia ao longo dos anos pode pesar na decisão de compra.
Mas os dados reais começam a contar uma história bastante diferente.
Uma análise baseada em quase 10.000 testes de baterias realizados entre 2022 e 2026 mostra que vários dos modelos elétricos mais populares conseguem conservar mais de 90% da capacidade original depois de 100.000 quilómetros. E alguns apresentam resultados particularmente impressionantes, mantendo mais de 95%.

O estudo foi realizado pela empresa sueca Carla, especializada na comercialização de automóveis elétricos usados. Como parte do processo de avaliação dos veículos que coloca no mercado, a empresa testa o estado das respetivas baterias, tendo acumulado ao longo dos últimos anos uma base de dados significativa de veículos com utilização real.
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Para comparar os diferentes modelos foi utilizado o State of Health (SoH), indicador que permite perceber qual a capacidade que a bateria mantém face ao seu estado quando era nova. Os testes foram realizados através do sistema de diagnóstico da Aviloo e apenas foram considerados modelos com um número suficiente de unidades analisadas.
Kia e-Niro lidera com mais de 97% de capacidade
Os resultados são particularmente interessantes porque mostram que os melhores modelos estão muito longe de apresentar uma degradação preocupante.
Depois de 100.000 quilómetros, os 20 modelos que lideram a classificação conservam mais de 90% da capacidade original. E no topo da tabela há mesmo modelos que ultrapassam os 95%.

O primeiro lugar pertence ao Kia e-Niro equipado com bateria de 64 kWh, que mantém, em média, 97,25% da capacidade original após 100.000 quilómetros.
Logo atrás surge o Hyundai Kauai Electric de 64 kWh, com 97,18%, enquanto o terceiro lugar pertence ao Kia EV6 de 77,4 kWh, que conserva 95,95%.
São valores que ajudam a colocar em perspetiva uma das maiores preocupações associadas à compra de um elétrico usado. Mesmo depois de uma distância que muitos automóveis atingem em apenas alguns anos, a bateria destes modelos continua a apresentar uma capacidade muito próxima da original.
A bateria instalada pode fazer toda a diferença
O estudo revela, contudo, que não basta olhar para o modelo do automóvel. A química da bateria, o fabricante das células e o sistema de gestão térmica também têm uma influência significativa na forma como a capacidade evolui ao longo do tempo.
Um dos melhores exemplos é o Tesla Model 3.
Dependendo da bateria utilizada, os resultados podem ser bastante diferentes. As unidades equipadas com baterias CATL de química LFP conservam, em média, 93,3% da capacidade após 100.000 quilómetros.

Nos Model 3 com baterias da LG Chem, o valor desce para 91,5%. Já as versões equipadas com baterias Panasonic apresentam valores inferiores: 89,8% no caso da bateria de 77,8 kWh e 88,2% na versão de 52,4 kWh.
A diferença é significativa e demonstra que duas unidades do mesmo modelo podem envelhecer de forma diferente.
100.000 km não significam uma bateria degradada
É importante, por isso, não olhar apenas para a quilometragem apresentada no conta-quilómetros.
A degradação de uma bateria depende de vários fatores, incluindo a idade, o número e tipo de carregamentos realizados, as temperaturas a que esteve sujeita e a forma como o automóvel foi utilizado. A própria tecnologia da bateria e o sistema de controlo térmico também desempenham um papel determinante.
Ainda assim, os resultados deste estudo são bastante claros: percorrer 100.000 quilómetros não significa que uma bateria esteja perto do fim da sua vida útil.
Aliás, mesmo os modelos que aparecem na parte inferior desta análise continuam, em muitos casos, acima dos 90% de capacidade original.
É uma conclusão particularmente relevante para quem procura um elétrico em segunda mão e encara a bateria como o principal risco da compra.
Os elétricos usados podem ter mais autonomia do que parece
Há ainda outro fator que pode criar uma perceção errada sobre a degradação.
Os automóveis elétricos evoluíram muito rapidamente na última década. Os modelos mais recentes apresentam baterias maiores, motores mais eficientes e sistemas de gestão energética mais sofisticados.

Por isso, quando se compara a autonomia de um elétrico usado com a de um modelo novo, a diferença não resulta necessariamente de uma bateria degradada.
Um automóvel com alguns anos pode simplesmente ter sido desenvolvido numa altura em que a tecnologia permitia autonomias inferiores às atuais.
Ou seja, uma autonomia menor face à de um elétrico novo não significa automaticamente que a bateria esteja em mau estado.
O SoH é mais importante do que os quilómetros
Para quem está a ponderar comprar um elétrico usado, existe uma conclusão particularmente importante neste estudo.
Em vez de olhar apenas para a quilometragem, é muito mais relevante conhecer o estado de saúde efetivo da bateria.
Um automóvel com 120.000 quilómetros e uma bateria com um SoH elevado pode ser uma compra mais interessante do que outro com menos quilómetros, mas cuja bateria tenha sofrido uma degradação superior.
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Por isso, uma avaliação independente da bateria pode ser uma das verificações mais importantes antes de fechar negócio.
Os quase 10.000 testes analisados mostram que não existe uma relação simples entre quilómetros percorridos e degradação. Há modelos que demonstram uma capacidade de resistência particularmente elevada e outros em que a perda de capacidade é mais acentuada.
Uma boa notícia para quem procura um elétrico usado
A bateria continua a ser o componente mais caro de um automóvel elétrico, mas os dados reais começam a afastar o cenário de que uma bateria estará inevitavelmente degradada depois de alguns anos ou 100.000 quilómetros.
Modelos como o Kia e-Niro, Hyundai Kona Electric e Kia EV6 demonstram que é possível conservar uma percentagem muito elevada da capacidade original mesmo depois de uma utilização significativa.
Mais do que a quilometragem, importa conhecer o histórico do automóvel, a tecnologia da bateria e, sobretudo, o seu estado de saúde atual.
Para quem procura um elétrico usado, a mensagem é simples: 100.000 quilómetros podem assustar no anúncio, mas não significam necessariamente uma bateria cansada.