A Mercedes-Benz atualizou o Classe C para 2027 e, apesar de a renovação exterior ser relativamente discreta, há novidades importantes debaixo da pele. A berlina e a carrinha recebem uma imagem ligeiramente revista, mais tecnologia, novos sistemas de assistência à condução e uma gama de motores mais eficiente.
Mas é na versão AMG que surge a maior surpresa. A Mercedes-AMG decidiu simplificar a oferta desportiva e substituir os anteriores C 43 e C 63 S E Performance por um único modelo: o C 53 4MATIC+, equipado com um motor de seis cilindros em linha e 449 cv.

É uma mudança significativa numa altura em que a indústria continua a caminhar para a eletrificação e em que a própria Mercedes tem vindo a apostar cada vez mais em soluções híbridas e elétricas.
Uma evolução discreta por fora
A renovação do Classe C não rompe com o desenho atual. A Mercedes optou por uma atualização cirúrgica, mantendo a carroçaria praticamente inalterada.
Os principais elementos novos encontram-se nos grupos óticos. Os faróis passam a apresentar uma assinatura luminosa revista e, quando equipados com o sistema de iluminação digital opcional, a conhecida estrela de três pontas surge integrada entre os projetores.

Este sistema permite adaptar a iluminação às condições da estrada, incluindo funções específicas para curvas e indicadores de mudança de direção.
Na traseira, a berlina recebe também uma nova assinatura luminosa, com a estrela da Mercedes integrada nos grupos óticos. Na carrinha Classe C Estate, os pilotos mantêm essencialmente o desenho atual.
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Os para-choques foram igualmente revistos de forma subtil, enquanto a gama passa a contar com novas cores de carroçaria e novos desenhos de jantes entre 17 e 19 polegadas.
Nas versões AMG, há ainda duas novas opções de jantes de 19 polegadas.
O resultado é um Classe C que continua imediatamente reconhecível, mas ganha alguns detalhes suficientes para marcar a diferença face ao modelo anterior.

Interior quase intacto, mas com tecnologia renovada
Se por fora as alterações são discretas, no interior a Mercedes adotou uma abordagem semelhante.
O habitáculo mantém a arquitetura conhecida, incluindo o painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas e o ecrã central tátil de 11,9 polegadas.
A principal novidade visível é o novo volante multifunções, semelhante ao que está progressivamente a ser adotado por outros modelos da marca.
Há também novas opções de revestimentos em pele, incluindo os tons castanho e bege, permitindo personalizar um pouco mais o ambiente a bordo.

Mas a verdadeira mudança está escondida no software.
O Classe C passa a utilizar o novo sistema operativo MB.OS, substituindo a anterior geração do MBUX. A plataforma promete uma utilização mais rápida e fluida, ao mesmo tempo que abre a porta a uma nova geração de funções conectadas e de assistência à condução.
Mais tecnologia na condução
A atualização tecnológica não se limita ao sistema de infotainment.
O Classe C passa a poder receber os sistemas MB.Drive Assist Plus e MB.Drive Assist Pro, que acrescentam novas funções de assistência à condução e estacionamento automatizado.
A Mercedes prepara ainda uma evolução para sistemas de condução assistida de nível 2++, prevista para 2027. A tecnologia permite uma condução com as mãos fora do volante em determinadas condições, embora o condutor continue obrigado a manter-se atento e a confirmar regularmente a sua presença.

Outra novidade é a evolução do sistema Pre-Safe, que passa a incluir a função Pre-Safe Curve. A tecnologia procura antecipar situações potencialmente perigosas em curva e preparar o veículo antes de uma eventual intervenção do condutor.
É uma evolução que mostra onde a Mercedes pretende colocar o foco: não apenas em mais potência ou melhor eficiência, mas também numa condução progressivamente mais assistida.
Motores de quatro e seis cilindros mais eficientes
A gama mecânica também foi revista.
Os motores de quatro cilindros, tanto a gasolina como Diesel, continuam a utilizar tecnologia híbrida ligeira de 48 volts, mas recebem uma nova geração do sistema integrado de arranque-gerador, denominado ISG 2.1.
Integrado na caixa automática de nove velocidades, o motor elétrico pode acrescentar até 23 cv durante as acelerações, recuperar energia nas desacelerações e permitir períodos de circulação em modo de roda livre.
A gama inclui motores de quatro e seis cilindros, a gasolina e Diesel, com tração traseira ou integral 4MATIC.
A versão de entrada C 180 deixa, entretanto, de fazer parte da oferta.
Também os híbridos plug-in passam por alterações. As versões PHEV ficam agora exclusivamente associadas a motores a gasolina, depois de a Mercedes ter abandonado as variantes híbridas plug-in Diesel.

A autonomia elétrica pode chegar aos 100 km, enquanto a autonomia total supera os 1000 km em determinadas configurações.
Adeus C 43 e C 63, olá C 53 AMG
É, contudo, no topo da gama que encontramos a mudança mais radical.
A Mercedes-AMG decidiu terminar com a atual estratégia de oferecer dois níveis distintos de performance no Classe C.
Desaparecem o C 43 AMG, com o seu quatro cilindros, e o controverso C 63 S E Performance, que combinava um motor 2.0 de quatro cilindros com um sistema elétrico e atingia 680 cv.

Em seu lugar surge um único modelo: o Mercedes-AMG C 53 4MATIC+.
E há uma característica que deverá agradar aos mais puristas: regressa um seis cilindros em linha de 3,0 litros.
O motor foi profundamente revisto, com uma nova cabeça do motor, condutas de admissão e escape otimizadas, um novo comando de válvulas e um intercooler redesenhado.
O compressor elétrico auxiliar também foi melhorado. A potência do sistema passa de 5,0 para 7,5 kW, permitindo uma resposta mais rápida e uma utilização mais prolongada.

O resultado são 449 cv e 600 Nm de binário, valores que podem subir para 640 Nm através da função overboost, durante um máximo de 10 segundos.
Um AMG mais próximo da tradição
O novo C 53 não é apenas mais um Classe C potente.
A Mercedes-AMG equipou-o com a caixa automática AMG Speedshift TCT 9G, associada ao sistema de tração integral variável AMG Performance 4MATIC+ e a um diferencial autoblocante eletrónico no eixo traseiro.
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E há ainda um detalhe que deverá conquistar os mais entusiastas: o modo de derrapagem.
Ao desacoplar o eixo dianteiro, o sistema permite transformar temporariamente o C 53 num automóvel predominantemente de tração traseira, oferecendo ao condutor maior liberdade para explorar o comportamento do eixo posterior.

É uma abordagem bastante diferente daquela seguida pelo anterior C 63 S E Performance.
Em vez de perseguir números de potência absolutamente extremos através de uma complexa arquitetura híbrida, a AMG parece ter procurado um equilíbrio mais natural entre potência, peso, resposta e prazer de condução.
Uma mudança de estratégia
A renovação do Classe C chega numa altura particularmente interessante para a Mercedes.
A marca continua a desenvolver modelos elétricos, mas esta atualização demonstra que o motor de combustão ainda terá um papel importante na gama durante os próximos anos.
E a decisão de substituir o C 63 por um C 53 de seis cilindros é especialmente reveladora.
No papel, significa abdicar de uma potência máxima muito superior. Na prática, poderá representar uma tentativa de recuperar aquilo que muitos clientes AMG consideravam perdido: um motor mais emocional e uma ligação mais direta entre o condutor e o automóvel.
O novo Classe C 2027 mantém, assim, a fórmula essencial do modelo, mas moderniza os ingredientes. Mais tecnologia, motores mais eficientes, maior capacidade de assistência à condução e uma gama AMG simplificada.
A Mercedes ainda não revelou os preços para Portugal. A chegada aos concessionários está prevista para antes do final de 2026, com os valores a serem anunciados posteriormente.