Um carro elétrico com uma década de uso e perto de 200 mil quilómetros é o teste ideal para contrariar a ideia, ainda comum, de que as baterias têm de ser substituídas ao fim de poucos anos. Este caso real mostra precisamente o contrário.
O protagonista é um BMW i3 de 2016, analisado pelo canal alemão Elektrobays. Trata-se de um exemplo bastante representativo para quem considera comprar este modelo em segunda mão, mas tem dúvidas sobre a durabilidade da bateria.
Leia ainda: Como fica a bateria de um Ford Mustang Mach‑E depois de 500.000 km?
O atual proprietário adquiriu o carro em 2019, com apenas 17.000 km, e desde então utilizou-o diariamente até atingir cerca de 190.000 km. O uso foi intensivo e variado, com percursos diários na ordem dos 110 km, incluindo cidade, estrada nacional e alguma autoestrada — ou seja, condições reais de utilização.

A decisão de venda não está relacionada com problemas mecânicos, mas sim com a necessidade de um veículo maior. Segundo o proprietário, o i3 cumpriu sempre bem o seu papel ao longo dos anos.
Fiabilidade e manutenção surpreendem
Em termos gerais, o carro encontra-se em bom estado e pronto a circular, com inspeção válida até 2027 e manutenção em dia. Um dos dados mais impressionantes é a ausência total de avarias ao longo de oito anos — apenas manutenção básica e substituição das pastilhas de travão dianteiras aos 162.000 km, algo que reflete a eficácia da travagem regenerativa.

Os custos de manutenção também são reduzidos: revisões realizadas de dois em dois anos, com valores na ordem dos 220 euros, incluindo essencialmente líquido de travões e filtro do habitáculo. Sem óleo, embraiagem ou caixa de velocidades tradicional, os custos mantêm-se bastante baixos, como é típico nos veículos elétricos.
Condução e estado geral
Em andamento, o i3 continua fiel à sua identidade: leve, ágil e particularmente eficaz em ambiente urbano. A condução com forte regeneração permite praticamente utilizar apenas um pedal, o que facilita bastante a condução no dia a dia. O conforto mantém-se adequado e não há ruídos anormais, mesmo após muitos quilómetros.

No interior, existem sinais normais de desgaste, como marcas no volante, apoios de braço e bancos, mas nada fora do esperado. Com uma limpeza mais cuidada, o habitáculo pode recuperar facilmente um aspeto bastante aceitável.
Destaque ainda para a construção em fibra de carbono, que elimina problemas de corrosão, embora possa encarecer reparações em caso de acidente mais grave.
Bateria: o ponto mais importante
Esta unidade corresponde à versão de 94 Ah, equipada com uma bateria de 33 kWh brutos (27,6 kWh úteis) e um motor de 174 cv com tração traseira. Apesar de já não impressionar em termos de números, continua a ser perfeitamente funcional no dia a dia.
Leia ainda: Como fica a bateria de um Volkswagen ID. 3 depois de 160.000 km?
O consumo médio ao longo da vida do veículo situa-se nos 17,5 kWh/100 km, podendo ser inferior em ambiente urbano. Em autoestrada, mantém-se eficiente até cerca de 120 km/h.

A autonomia real ronda os 200 km em condições favoráveis, descendo no inverno, mas sem comprometer a utilização diária. O proprietário refere que nunca teve dificuldades em cumprir as suas rotinas.
No carregamento, aceita até 11 kW em corrente alterna e 50 kW em corrente contínua, permitindo carregar dos 10% aos 80% em cerca de 30 minutos — valores ainda bastante utilizáveis atualmente.
Um fator importante para a longevidade da bateria é a gestão interna do sistema. Apesar de muitas cargas terem sido feitas até 100%, o carro mantém uma margem de proteção de cerca de 16%, o que significa que a bateria nunca é realmente carregada na totalidade, ajudando a preservar a sua saúde.

Graças a isso e à qualidade das células Samsung com refrigeração líquida, a bateria mantém cerca de 82,4% da sua capacidade original após quase 200.000 km. A capacidade útil desceu para cerca de 24 kWh, o que explica a ligeira redução na autonomia.
Ainda é uma boa compra?
Na prática, este BMW i3 poderá ainda percorrer mais 100.000 a 150.000 km antes de apresentar uma degradação mais significativa. Mesmo nessa fase, continuará utilizável, embora com menor autonomia.
No mercado de usados, unidades semelhantes poderão rondar os 11.000 euros, tornando-o uma opção interessante como segundo carro: económico, eficiente e com potencial para se tornar um futuro clássico elétrico.