Os métodos utilizados para roubar automóveis também evoluíram com a tecnologia. Atualmente, os ladrões já não precisam necessariamente de partir um vidro ou forçar uma fechadura: através de dispositivos eletrónicos, conseguem intercetar e retransmitir o sinal das chaves, abrindo portas e colocando o motor em funcionamento sem deixar sinais evidentes de arrombamento.
Para dificultar este tipo de crime, a Mercedes está a desenvolver novas soluções antirroubo. O fabricante alemão registou duas patentes com sistemas que procuram impedir o acesso não autorizado aos veículos. Uma delas recupera um conceito que já era utilizado por alguns Peugeot e Citroën durante a década de 1990.
Mercedes quer recuperar os códigos de segurança dos anos 90
A primeira patente, publicada a 29 de outubro pelo Instituto Alemão de Patentes e Marcas, descreve um sistema que utiliza um código de segurança integrado no próprio comando do automóvel.
O funcionamento é relativamente simples. Para ativar ou desativar as funções de abertura e arranque sem chave, o condutor teria de introduzir uma combinação específica de pressões nos botões do comando.

A ideia faz lembrar os teclados numéricos que equipavam alguns modelos da Peugeot e da Citroën nos anos 90. Instalados geralmente na parte inferior do tablier, estes dispositivos obrigavam o condutor a introduzir um código antes de poder colocar o motor em funcionamento.
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Sem a combinação correta, o automóvel permanecia imobilizado, mesmo que alguém conseguisse entrar no habitáculo.
A Mercedes pretende adaptar este princípio aos atuais sistemas de acesso e arranque sem chave, acrescentando uma camada de segurança que não depende exclusivamente da identificação eletrónica do comando.
Segunda patente quer impedir ataques por retransmissão de sinal
A outra solução apresentada pela Mercedes é tecnologicamente mais complexa e destina-se a combater os chamados ataques por retransmissão, também conhecidos como relay attacks ou mouse jacking.
Neste tipo de roubo, os criminosos utilizam equipamentos eletrónicos para captar o sinal emitido pela chave e retransmiti-lo até ao automóvel. Desta forma, conseguem fazer com que o veículo interprete que o comando está suficientemente próximo para permitir a abertura das portas e o arranque.
A proposta da Mercedes passa por combinar geolocalização com comunicação permanente entre o automóvel e a respetiva chave.
Sempre que alguém tentar abrir ou ligar o veículo, o sistema poderá enviar pedidos aleatórios ao comando, de forma a confirmar a sua autenticidade. A tecnologia pretende ainda verificar a distância efetiva entre os dois dispositivos e identificar eventuais incoerências entre a localização da chave e a informação recebida pelo automóvel.
Se detetar uma tentativa de manipulação do sinal, o sistema poderá recusar a autorização de acesso ou de arranque.
Esta solução levanta, contudo, algumas questões relacionadas com a utilização em locais sem cobertura de rede, uma vez que depende de dispositivos intermediários para assegurar a comunicação entre o automóvel e a chave.
Mercedes já tem sistemas para dificultar roubos eletrónicos
Enquanto estas tecnologias não chegam aos automóveis de produção, a Mercedes já disponibiliza algumas funcionalidades destinadas a reduzir o risco de roubo através da chave eletrónica.

Desde 2020, os veículos equipados com Keyless-Go permitem desativar as funções de abertura e arranque sem chave.
Alguns modelos mais recentes contam também com comandos dotados de sensores de movimento. Quando a chave permanece imóvel durante dois minutos, a função de abertura do automóvel é desativada. Ao fim de 90 minutos, também deixa de ser possível utilizar a função de arranque sem chave.
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Existem ainda soluções mais tradicionais que continuam a ser úteis como medidas complementares. Os bloqueadores de volante e as barras antirroubo podem funcionar como elementos dissuasores, enquanto as caixas de Faraday permitem isolar os comandos das ondas eletromagnéticas, impedindo que o sinal seja captado e retransmitido por dispositivos utilizados pelos ladrões.
Novas patentes poderão chegar aos Mercedes de produção?
O registo de uma patente não significa necessariamente que uma tecnologia vá chegar aos automóveis vendidos ao público. Ainda assim, há um pormenor que merece atenção.
A Mercedes terá solicitado a publicação antecipada das duas patentes, reduzindo significativamente o período habitual de divulgação. Em vez de esperar até 18 meses, o fabricante terá optado por um processo que permite tornar a informação pública em apenas seis semanas.
Esta decisão poderá indicar que a marca pretende acelerar o desenvolvimento ou a aplicação destas soluções, embora não exista, para já, qualquer confirmação sobre a sua chegada aos modelos de produção.
Uma coisa é certa: recuperar uma ideia dos Peugeot e Citroën dos anos 90 para proteger os automóveis modernos mostra que, perante os novos métodos de roubo eletrónico, nem sempre a solução mais eficaz tem de ser a mais complicada.







