A partir de segunda-feira, 7 de setembro, a gasolina 95 deverá atingir cerca de 2,142 €/litro em Portugal. Com estes preços, um automóvel elétrico carregado em casa pode gastar menos de 3 euros para percorrer 100 km — uma diferença que pode ultrapassar os 10 euros face a um carro a gasolina.
A subida dos preços dos combustíveis volta a colocar os custos de utilização no centro da discussão sobre a mobilidade elétrica. A partir de segunda-feira, 7 de setembro, a gasolina 95 deverá aproximar-se dos 2,142 €/litro, segundo as previsões divulgadas para a próxima semana.
Mas quanto custa, afinal, percorrer os mesmos 100 km num carro elétrico e num automóvel a gasolina?
A resposta depende sobretudo de onde se carrega o carro elétrico. Em casa, a diferença para um veículo a gasolina pode ser muito significativa. Já nos carregadores públicos, a vantagem diminui bastante.
100 km num elétrico podem custar menos de 3 euros
Considerando um consumo médio de um automóvel elétrico entre 16 e 18 kWh/100 km, o custo depende diretamente do preço contratado para a eletricidade.

Em Portugal existem atualmente tarifas domésticas que permitem carregar a preços relativamente baixos, sobretudo durante o período de vazio. A EDP, por exemplo, apresenta um exemplo de carregamento doméstico de um veículo com consumo de 17 kWh/100 km por 1,89 euros, já com IVA e IEC, quando utilizado um tarifário bi-horário específico para mobilidade elétrica.
Mesmo considerando uma tarifa doméstica mais elevada, na ordem dos 0,15 a 0,19 €/kWh, os 100 km representariam aproximadamente:
- 16 kWh/100 km: 2,40 a 3,04 €
- 17 kWh/100 km: 2,55 a 3,23 €
- 18 kWh/100 km: 2,70 a 3,42 €
Ou seja, carregar em casa continua a ser, de longe, a forma mais económica de utilizar um automóvel elétrico. Algumas tarifas de eletricidade atualmente disponíveis em Portugal começam inclusivamente abaixo dos 0,15 €/kWh.
E quanto custa fazer 100 km num carro a gasolina?
É aqui que a diferença se torna particularmente evidente.
A partir de 7 de setembro, a gasolina 95 deverá situar-se nos 2,142 €/litro, embora este seja um valor previsional e possa variar de posto para posto.
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Considerando um automóvel a gasolina com um consumo entre 6,5 e 7,0 l/100 km, temos:
| Consumo | Custo por 100 km |
|---|---|
| 6,5 l/100 km | 13,92 € |
| 7,0 l/100 km | 14,99 € |
Assim, fazer 100 km num carro a gasolina poderá custar cerca de 14 a 15 euros apenas em combustível.
Um elétrico que consuma 17 kWh/100 km e seja carregado em casa por cerca de 0,15 €/kWh gastará aproximadamente 2,55 euros para a mesma distância.
A diferença pode ultrapassar os 12 euros por cada 100 km
Tomando como referência estes valores, a diferença é clara:
Carro elétrico: cerca de 2,5–3,2 €/100 km
Carro a gasolina: cerca de 13,9–15,0 €/100 km
Isto significa uma poupança potencial na ordem dos 10 a 12,5 euros por cada 100 km a favor do elétrico quando o carregamento é feito em casa.
Ao fim de 10.000 km, estamos a falar de uma diferença que pode aproximar-se dos 1.000 a 1.200 euros.
O segredo está em carregar em casa
É precisamente por isso que ter possibilidade de carregar em casa é uma das grandes vantagens de possuir um veículo elétrico.

Uma tarifa bi-horária permite aproveitar as horas de menor preço, normalmente durante a noite, quando o automóvel está estacionado. Em determinadas condições, o custo por 100 km pode ficar abaixo dos 2 euros, como demonstra o exemplo da EDP para um consumo de 17 kWh/100 km.
A instalação de uma wallbox também melhora a conveniência, permitindo carregar o automóvel durante a noite e começar o dia seguinte com a bateria carregada.
E se for necessário utilizar um carregador público?
Aqui, as contas mudam.
Em Portugal, o preço de um carregamento público não depende apenas do número de kWh consumidos. A fatura pode incluir o custo da energia, a tarifa do operador do posto (OPC), a tarifa da entidade gestora da rede e impostos. A própria MOBI.E explica que o preço final resulta da combinação destas diferentes componentes.
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A EDP dá um exemplo bastante elucidativo: para um veículo que consuma 17 kWh/100 km, um carregamento num posto normal até 22 kW pode representar 7,48 euros, enquanto num posto rápido de 50 kW o mesmo percurso sobe para 8,50 euros.
Ou seja, mesmo nos carregamentos públicos, um elétrico pode continuar a ser mais barato do que um automóvel a gasolina, mas a diferença deixa de ser tão impressionante como quando se carrega em casa.
E quanto mais potente for o carregador — especialmente nos postos ultrarrápidos — maior tende a ser o custo.
A conclusão é simples
Com a gasolina 95 a poder chegar aos 2,142 €/litro a partir de segunda-feira, fazer 100 km num automóvel a gasolina pode custar aproximadamente 14 a 15 euros, assumindo um consumo entre 6,5 e 7 l/100 km.
Num elétrico com consumo de 16 a 18 kWh/100 km, carregar em casa pode reduzir esse valor para cerca de 2,5 a 3,5 euros, dependendo da tarifa de eletricidade.
A poupança pode, portanto, chegar aos 10 euros ou mais por cada 100 km.
A principal conclusão é que o verdadeiro potencial económico de um carro elétrico está em poder carregá-lo em casa. Para quem depende exclusivamente da rede pública, a vantagem mantém-se em muitos casos, mas torna-se bastante mais pequena.
E há outro detalhe importante: estes cálculos consideram apenas energia/combustível. Não incluem manutenção, impostos, seguros, pneus ou o custo de aquisição do automóvel — fatores que também podem alterar significativamente o custo total de utilização.
Nota: os preços da gasolina para 7 de setembro são previsões para a próxima semana, pelo que o valor efetivamente praticado poderá variar entre postos. A DGEG disponibiliza os preços médios efetivamente reportados pelos postos de abastecimento.