O Multiplina foi uma das novidades apresentadas pela FIAT no Salão Automóvel de Paris. Ao contrário do Topolino, um quadriciclo ligeiro de apenas dois lugares, o novo modelo terá quatro lugares e dimensões superiores, aproximando-se de uma solução de mobilidade urbana mais versátil.
É precisamente essa evolução que está a dificultar o desenvolvimento do veículo. O aumento das dimensões e a inclusão de dois lugares adicionais fazem subir o peso, colocando em causa o cumprimento dos requisitos da categoria L7e.
FIAT tem de reduzir o peso do Multiplina
François Leboine, responsável pelo design da FIAT, confirmou que o modelo está relativamente próximo da produção, mas reconheceu que o peso continua a ser um dos principais obstáculos.

A categoria L7e estabelece um limite de 450 kg, excluindo as baterias, apenas 25 kg acima do limite indicado para os quadriciclos ligeiros L6e. A marca terá, por isso, de encontrar soluções para tornar o Multiplina mais leve sem comprometer a sua configuração de quatro lugares.
Segundo Leboine, partir da base conceptual do Topolino, acrescentar dois lugares e aumentar o comprimento do chassis faz com que o peso ultrapasse rapidamente o valor permitido.
A estratégia passa por eliminar todos os quilogramas possíveis, recorrendo a soluções de construção mais leves e à simplificação de componentes. O responsável compara esta abordagem à utilizada no desenvolvimento de um automóvel de competição, em que cada peça é analisada para perceber onde é possível retirar material.
Um quadriciclo de quatro lugares para 2028
O Multiplina pretende ocupar um espaço intermédio na gama da FIAT. Os quadriciclos ligeiros L6e, como o Topolino, estão limitados a 8 cv e a uma velocidade máxima de 45 km/h. Já os modelos L7e podem atingir 20 cv e 90 km/h, oferecendo maior capacidade para deslocações urbanas.
A FIAT quer reforçar a sua aposta na micromobilidade com o Multiplina e o Tris, sendo esta uma área em que a marca pretende assumir um papel de destaque dentro do grupo Stellantis.
O lançamento do Multiplina está previsto para 2028, embora a concretização do projeto dependa da capacidade de resolver o desafio do peso e cumprir os requisitos de homologação.
Dacia Hipster será um dos seus rivais
Entre os futuros concorrentes do Multiplina estará o Dacia Hipster, um modelo de quatro lugares previsto para 2027 e desenvolvido também para a categoria L7e. A Dacia apontou um preço objetivo de 11.000 euros, posicionando-o como uma alternativa de mobilidade elétrica abaixo de automóveis como o Spring.
A produção do Hipster está prevista para a fábrica de Shiyan, na China, onde era produzido o Spring de primeira geração. O novo Spring, por sua vez, é fabricado em Novo Mesto, na Eslovénia.
A Renault pretende preservar a atividade industrial da unidade chinesa, que tem uma capacidade de produção anual de 45.000 veículos para o grupo. Entre os motivos apontados estão os custos de produção competitivos e a capacidade de inovação da fábrica.
Com o Multiplina, a FIAT procura responder à mesma necessidade de mobilidade urbana acessível, mas terá primeiro de resolver uma questão fundamental: conseguir transportar quatro pessoas sem ultrapassar o peso permitido para a categoria em que pretende homologar o modelo.