Comprar um automóvel novo continua a representar um investimento significativo, mas há um fator que muitos condutores tendem a ignorar: a desvalorização. Um estudo da carVertical mostra que alguns modelos podem perder mais de metade do seu valor em apenas cinco anos, tornando-se um dos maiores custos ocultos da propriedade de um veículo.
A análise, baseada em veículos matriculados em 2020 e nos relatórios adquiridos pelos utilizadores da plataforma entre 2023 e 2025, conclui que o Jaguar I-Pace é o modelo que mais desvaloriza em Portugal. Ao fim de cinco anos, o SUV elétrico perde, em média, 64,6% do seu valor inicial.
No ranking nacional seguem-se o Opel Insignia (61,2%), o Nissan Leaf (58,1%), o Ford Mondeo (57,7%) e o Audi e-tron (54,3%).
Segundo Matas Buzelis, especialista do mercado automóvel da carVertical, a rápida desvalorização representa um custo que muitos compradores apenas percebem quando decidem vender o veículo. Apesar de alguns modelos oferecerem elevados níveis de equipamento e conforto, a perda de valor pode traduzir-se em prejuízos financeiros significativos.
Elétricos e modelos premium são os mais penalizados
O estudo conclui que os automóveis premium e os veículos elétricos são, em geral, os que registam maiores perdas de valor nos mercados analisados.
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Nos modelos de luxo, o elevado preço de compra, os custos de manutenção e reparação, bem como a rápida evolução tecnológica, tornam-nos menos atrativos no mercado de usados. Já no caso dos elétricos, a evolução constante das baterias e o aumento das autonomias fazem com que modelos relativamente recentes percam competitividade face às novas gerações.
De acordo com a carVertical, muitos compradores procuram veículos elétricos com autonomias superiores às oferecidas por modelos lançados há poucos anos, limitando a procura por automóveis usados desta categoria.
À escala europeia, os modelos que mais desvalorizam em cinco anos são o Jaguar I-Pace (73,1%), o Land Rover Range Rover (70,1%), o Nissan Leaf (62,4%), o Audi e-tron (60,9%) e o Jaguar XF (59,9%).

Peugeot 508 lidera entre os que melhor mantêm o valor
No extremo oposto da tabela surge o Peugeot 508, apontado como o modelo que melhor preserva o seu valor em Portugal. Ainda assim, regista uma desvalorização média de 48,7% ao fim de cinco anos.
Logo atrás aparecem o Opel Astra (48,8%), o Tesla Model S (51%), o Tesla Model 3 (52,6%) e o Hyundai Ioniq (53,8%).
Segundo o especialista da carVertical, os automóveis de segmentos mais acessíveis tendem a manter melhor o valor devido ao preço inicial mais reduzido, aos custos de manutenção inferiores e à elevada procura no mercado de usados.
Procura continua a ser determinante
A empresa sublinha que a idade do automóvel não é o único fator que influencia a desvalorização. A procura por determinado modelo, a reputação em termos de fiabilidade, os custos de utilização e a perceção de risco por parte dos compradores também têm um peso significativo no valor de revenda.
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Para ajudar os consumidores, a carVertical integrou nos seus relatórios uma funcionalidade de estimativa do valor de mercado, que analisa a evolução dos preços de modelos semelhantes e projeta a sua valorização futura, permitindo decisões de compra mais informadas.
Metodologia
O estudo teve por base os relatórios históricos de veículos adquiridos pelos utilizadores da carVertical entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, incidindo sobre modelos produzidos em 2020. A percentagem de desvalorização foi calculada através da comparação entre o preço de venda recomendado pelo fabricante e o valor médio de mercado após cinco anos de utilização.