A Dacia prepara uma forte ofensiva elétrica para os próximos anos. Até 2030, a marca romena deverá lançar quatro novos modelos elétricos, numa estratégia que terá um objetivo muito claro: manter os preços baixos e responder à crescente concorrência das marcas chinesas no mercado europeu.
O primeiro a chegar será o Spring de segunda geração, previsto para ser apresentado no próximo Salão Automóvel de Paris. Derivado do novo Renault Twingo, o pequeno elétrico deverá representar uma evolução significativa face ao atual modelo, tanto ao nível do design como da tecnologia.

Mas o Spring será apenas o início. A Dacia estará também a preparar uma versão de produção do Hipster, um quadriciclo pesado de quatro lugares pensado para a utilização urbana e que poderá assumir o lugar deixado pelo Mobilize Duo.
Leia ainda: Dacia Striker chega por menos de 25 mil euros
A ofensiva ganhará ainda mais importância em 2028, quando está prevista a chegada da quarta geração do Sandero, acompanhada por um novo B-SUV que deverá substituir indiretamente o atual Sandero Stepway. Ambos deverão estar disponíveis com motorizações híbridas e elétricas.
Um elétrico por menos de 20 mil euros
É precisamente no Sandero elétrico que a estratégia da Dacia poderá ganhar maior expressão. A marca quer manter uma posição de liderança na acessibilidade e colocar o preço como uma das principais armas para enfrentar os novos concorrentes chineses.
Com o Spring posicionado abaixo dos 18 mil euros e o Renault 5 a partir de menos de 25 mil euros, o futuro Sandero elétrico deverá ficar entre ambos. Um preço inferior a 20 mil euros é, por isso, uma possibilidade, colocando-o numa posição particularmente agressiva perante modelos como o Citroën ë-C3.

A filosofia está alinhada com aquilo que a Dacia pretende para a sua gama elétrica: oferecer automóveis capazes de competir com as propostas chinesas não necessariamente através de mais tecnologia ou potência, mas sobretudo através de preços mais baixos e de uma relação custo/benefício muito forte.
Leia ainda: Dacia a GPL recebem motor Eco-G 120 e depósitos de GPL maiores
Para conseguir manter essa vantagem, a marca deverá apostar em soluções técnicas mais simples e económicas. As futuras propostas poderão recorrer a baterias LFP (lítio-ferro-fosfato), uma tecnologia que permite reduzir os custos de produção.
A mensagem da Dacia é, portanto, clara: perante a chegada de cada vez mais fabricantes chineses à Europa, a resposta será jogar no seu próprio terreno — o preço. E se o Sandero elétrico conseguir realmente aproximar-se dos 20 mil euros, poderá tornar-se uma das armas mais importantes do grupo Renault para levar a mobilidade elétrica a um público mais vasto.