A Volkswagen está a acelerar a transformação da sua gama de modelos na Europa e uma das decisões mais marcantes passa pelo fim gradual das motorizações Diesel. A estratégia surge num momento em que o construtor alemão enfrenta uma das fases mais difíceis da sua história, procurando reduzir custos, cumprir metas ambientais mais exigentes e evitar avultadas multas relacionadas com as emissões.
A mudança foi confirmada pelo CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, e faz parte de um plano mais vasto de reorganização, que inclui cortes significativos de despesas, redução de postos de trabalho e a revisão da capacidade produtiva na Alemanha. Entre as novidades está a eliminação progressiva das versões Diesel dos modelos vendidos no mercado europeu.
Novo sistema híbrido substitui os motores Diesel
O primeiro modelo a abandonar totalmente o gasóleo será a próxima geração do Volkswagen T-Roc, que passará a ser comercializada apenas com motorizações eletrificadas. A partir do último trimestre de 2026, o SUV contará com um novo sistema híbrido autorrecarregável (HEV), desenvolvido pela Volkswagen a partir da tecnologia já utilizada nos seus híbridos plug-in.

Este sistema recorre a uma bateria de menor capacidade, dispensando o carregamento externo, e promete consumos na ordem dos 4,5 l/100 km na versão de 170 cv, valores muito próximos dos registados pelos motores Diesel. A mesma solução será posteriormente introduzida no Golf e noutros modelos da marca.
O adeus ao 2.0 TDI acontece sob a sombra de vários problemas
Embora a transição seja justificada sobretudo pelas novas exigências ambientais e pela chegada da norma Euro 7, a verdade é que a mais recente geração do motor 2.0 TDI EA288 também acumulou diversas críticas ao longo dos últimos anos.
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Lançado em 2012 para substituir o controverso EA189, envolvido no escândalo Dieselgate, o EA288 ficou disponível em versões entre os 102 e os 240 cv e equipou um elevado número de modelos das marcas Volkswagen, Audi, SEAT e Škoda.
Apesar da evolução tecnológica, o motor não ficou imune a problemas de fiabilidade. Entre as avarias mais apontadas por oficinas e proprietários destacam-se falhas no sistema de refrigeração, nomeadamente relacionadas com o depósito do líquido refrigerante, cuja bolsa de silicatos pode degradar-se e provocar obstruções no circuito.

Também são referidas fugas na bomba de água, na caixa do termóstato, no intercooler, na válvula EGR e nas tubagens do sistema de refrigeração. Em situações mais graves, uma falha no regulador da bomba de água pode originar sobreaquecimento do motor e danos na junta da cabeça.
Manutenção exigente e consumo de óleo em algumas versões
Com quilometragens mais elevadas, alguns proprietários relatam ainda perdas de compressão, fugas na tampa da distribuição e intervenções complexas que obrigam à desmontagem da distribuição para uma reparação definitiva.
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Nos sistemas de controlo de emissões, embora os problemas com o filtro de partículas (DPF) não sejam especialmente frequentes, o sistema SCR pode apresentar falhas quando o veículo permanece longos períodos sem utilização. Nestes casos, o AdBlue pode cristalizar, originando avarias em sensores e componentes do sistema.
Algumas versões de 184 cv, utilizadas em modelos como o Golf GTD ou o Škoda Octavia RS TDI, também registaram casos de consumo excessivo de óleo, associado ao desgaste dos segmentos dos pistões e à acumulação de resíduos de combustão.