A Renault está a apostar numa nova abordagem à reparação dos seus automóveis elétricos, recuperando motores usados para os devolver ao mercado como componentes recondicionados. A iniciativa pretende reduzir o custo das reparações, prolongar a vida útil dos componentes e diminuir o impacto ambiental associado à produção de peças novas.
Quando um motor elétrico apresenta uma avaria fora do período de garantia, a sua substituição pode representar uma despesa de vários milhares de euros. Para tentar reduzir esse custo, a Renault está agora a apostar no recondicionamento de motores usados, em vez da substituição sistemática por uma unidade nova.
A responsável pelo processo é a The Remakers, empresa ligada à Renault e especializada em recondicionamento e economia circular. A nova operação envolve o motor elétrico 6AM, utilizado, entre outros modelos, no Renault Mégane E-Tech, Renault Scénic E-Tech e Renault Master elétrico.
Motor é desmontado e completamente revisto
Os motores recuperados são enviados para as instalações da The Remakers em Flins, França, onde passam por um processo industrial de desmontagem, inspeção e recondicionamento.
Depois de avaliados, os componentes que ainda apresentam condições de utilização são recuperados e o motor é novamente colocado em condições de funcionamento antes de regressar à rede de peças de substituição.
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Segundo a Renault, os motores recondicionados apresentam prestação e fiabilidade equivalentes às de uma unidade nova, mas com um preço médio cerca de 30% inferior.

A solução permite, assim, aproveitar componentes que ainda têm muitos quilómetros de vida pela frente, evitando que um motor completo seja descartado devido a uma avaria ou desgaste de apenas alguns dos seus elementos.
Motor elétrico sem terras raras
O próprio desenho do motor 6AM facilita este processo. Trata-se de um motor síncrono de rotor bobinado, uma solução que dispensa ímanes permanentes fabricados com terras raras.
Em vez de utilizar ímanes permanentes para criar o campo magnético, o rotor utiliza um enrolamento alimentado eletricamente. Além de reduzir a dependência de determinados materiais considerados críticos, esta característica também contribui para tornar o processo de recuperação dos componentes mais interessante do ponto de vista da economia circular.
Impacto ambiental pode cair 67%
O benefício não se limita ao preço final da peça. A The Remakers encomendou à consultora Quantis uma análise de ciclo de vida realizada de acordo com normas ISO e posteriormente sujeita a uma revisão crítica externa.
De acordo com os resultados divulgados pela empresa, o recondicionamento do motor elétrico permite reduzir pelo menos 67% o impacto ambiental em cada um dos cinco critérios analisados.

No caso da eletrónica de potência, a redução do impacto chega, no mínimo, aos 47%.
Uma parte significativa desta redução está relacionada com o reaproveitamento de materiais como o cobre e de vários componentes eletrónicos. Ao recuperar peças que ainda podem ser utilizadas, evita-se parte dos processos de extração, transformação e fabrico necessários para produzir uma unidade completamente nova.
Renault já recondiciona outros componentes
O motor 6AM não é o primeiro componente elétrico a entrar neste programa. A oferta de peças recondicionadas da Renault já inclui o motor 5A, utilizado pelo Renault Zoe e pelo Renault Kangoo elétrico, além do controlador eletrónico de potência.
A nova operação permite, contudo, estender esta possibilidade a modelos elétricos mais recentes, incluindo o Mégane E-Tech e o Scénic E-Tech.
Reparar em vez de substituir
A aposta surge numa altura em que o número de automóveis elétricos em circulação continua a aumentar e começam também a surgir mais veículos fora do período de garantia.
Para os proprietários, a questão passa não apenas pelo preço de aquisição de um elétrico, mas também pelos custos de manutenção e reparação ao longo de muitos anos e quilómetros.
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A possibilidade de substituir um motor ou outro componente por uma unidade recondicionada pode representar uma diferença significativa na fatura final, ao mesmo tempo que permite prolongar a utilização de materiais e componentes que ainda estão em boas condições.
A tendência começa, aliás, a estender-se a outras áreas. A ZF apresentou mais de 100 variantes de kits de reparação para sistemas de propulsão eletrificados, permitindo aos reparadores atuar sobre componentes específicos em vez de substituir conjuntos completos.
Também as baterias começam a seguir uma lógica semelhante, com soluções que permitem reparar ou substituir módulos defeituosos sem necessidade de trocar todo o conjunto.