A Citroën confirmou oficialmente que está a desenvolver um novo citadino elétrico de baixo custo, com preço base inferior a 15.000 euros, numa estratégia que pretende democratizar novamente o acesso ao automóvel novo na Europa.
A revelação foi feita por Xavier Chardon, diretor executivo da marca francesa, que considera este futuro modelo “absolutamente crucial” para reforçar a presença da Citroën no mercado europeu e responder ao aumento generalizado dos preços no setor automóvel.
Inspirado na filosofia do histórico 2CV
Embora ainda não esteja confirmado como uma recriação retro do icónico 2CV, o novo modelo deverá recuperar a filosofia que tornou o original num fenómeno: simplicidade, acessibilidade e funcionalidade.
Segundo Xavier Chardon, o objetivo passa por criar um automóvel acessível para um público que ficou excluído do mercado de veículos novos.

“O mercado europeu continua sem recuperar totalmente após a pandemia. Faltam cerca de três milhões de compradores de carros novos por ano e grande parte dessa quebra explica-se simplesmente pela falta de modelos abaixo dos 15 mil euros”, afirmou o responsável.
Projeto partilhado com futuro Panda
Tudo indica que este novo modelo será desenvolvido em conjunto com o futuro Fia Panda ou Pandina, ambos pertencentes ao grupo Stellantis.
Os protótipos deverão ser apresentados durante o Paris Motor Show 2026, em outubro de 2026, com chegada ao mercado prevista para 2028.

O novo citadino deverá posicionar-se abaixo do atual Citroën ë-C3, que mede 4,02 metros de comprimento, e poderá integrar tanto versões 100% elétricas como variantes com motor térmico.
Mais do que nostalgia
Apesar da inevitável ligação emocional ao 2CV, a Citroën garante que não pretende apostar apenas na nostalgia.
Segundo Chardon, o mais importante é reinterpretar a missão original do modelo: oferecer mobilidade acessível às massas, adaptada às necessidades atuais.
“O objetivo do 2CV era colocar quatro pessoas e alguma carga num automóvel económico. Hoje, talvez já não sejam agricultores, mas profissionais como enfermeiros ou famílias urbanas que precisam de mobilidade acessível”, explicou.
A marca reconhece o sucesso de regressos históricos como o MINI Hatch, FIAT 500 e Renault 5, mas sublinha que reviver um clássico sem uma proposta sólida não é suficiente.