A União Europeia prepara-se para introduzir um conjunto de novas regras que irão tornar a compra de carro novo significativamente mais cara a partir de 2026. Apesar de Bruxelas ter recentemente cedido ao prolongar a vida dos motores de combustão para além de 2035, o alívio para os consumidores será curto. As próximas exigências legais deverão provocar um aumento médio que pode rondar os 2.000 euros por viatura, afetando todos os segmentos do mercado.
Uma das principais mudanças entra em vigor a 7 de julho de 2026, com a aplicação integral do novo Regulamento Geral de Segurança. A partir dessa data, todos os automóveis novos terão de estar equipados com um conjunto alargado de sistemas obrigatórios, mesmo que os modelos já estejam atualmente à venda. É o caso da caixa negra para registo de acidentes, o limitador de velocidade inteligente (ISA) e sistemas de sensores e câmaras mais avançados para reforçar os assistentes à condução.
O pacote inclui ainda tecnologias como a travagem automática de emergência com deteção de peões e ciclistas, monitorização permanente do condutor e aviso de saída involuntária da faixa de rodagem.
A estas exigências soma-se uma alteração estrutural pouco falada: o reforço das zonas de proteção da cabeça dos peões em caso de atropelamento, o que implica modificações físicas na carroçaria.

De acordo com estimativas do setor, estas medidas poderão aumentar os custos de produção entre 1.000 e 2.500 euros por automóvel, o que representa cerca de 10% do preço final em alguns modelos. Os veículos mais pequenos e acessíveis não ficarão imunes e poderão ver as suas gamas reduzidas a uma ou duas versões, ou mesmo desaparecer do mercado.
Leia ainda: Reparar um carro eléctrico pode sair mais caro do que comprar outro
A partir de novembro de 2026, entra também em vigor a nova norma de emissões Euro 7 para modelos recém-homologados, sendo alargada a todas as novas matrículas um ano depois. Esta regulamentação endurece os limites de emissões para motores a gasolina e diesel e introduz novos métodos de controlo, incluindo a medição de partículas ultrafinas durante as inspeções periódicas.
Durabilidade mínima dos sistemas de controlo de emissões
Os fabricantes terão ainda de garantir uma durabilidade mínima dos sistemas de controlo de emissões, como catalisadores, filtros de partículas e sistemas SCR, por períodos que podem chegar aos 200.000 quilómetros ou 10 anos, consoante o caso. Caso os valores de emissões ultrapassem os limites definidos, a substituição destes componentes será obrigatória.

Os veículos elétricos e híbridos plug-in também passam a estar abrangidos por novas exigências. As baterias terão de manter pelo menos 80% da capacidade após cinco anos ou 100.000 km, e 72% após oito anos ou 160.000 km. Além disso, surgem limites para o desgaste de travões e pneus, que passam a contar para as emissões totais dos veículos.
Com este novo quadro regulatório, 2026 promete ser um dos anos mais exigentes de sempre para o mercado automóvel europeu, com impacto direto nos preços e na oferta disponível. Para quem pondera comprar carro novo, o tempo pode estar a esgotar-se.