O mais recente Relatório TÜV 2026, elaborado com base em milhões de inspeções técnicas realizadas na Alemanha, revela quais são os automóveis que melhor resistem ao passar do tempo no mercado europeu. As conclusões trazem algumas surpresas, incluindo modelos pouco populares em Portugal que se destacam pela fiabilidade.
Todos os anos, a TÜV Association analisa os resultados das inspeções periódicas obrigatórias (equivalentes à ITV) para avaliar o envelhecimento dos veículos após vários anos de utilização. O estudo foca-se em automóveis com diferentes idades, permitindo perceber quais apresentam menos defeitos graves à medida que acumulam quilómetros.
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Apesar de o relatório ter como base o mercado alemão, muitos dos modelos avaliados são igualmente vendidos em Portugal. Ainda assim, há diferenças relevantes, nomeadamente na idade média do parque automóvel: na Alemanha ronda os 10,6 anos, enquanto em Portugal ultrapassa os 14 anos, segundo dados de 2025.
De acordo com o relatório, 21,5% dos veículos inspecionados na Alemanha falharam a inspeção à primeira tentativa devido a defeitos significativos ou perigosos — um valor que tem vindo a aumentar desde a pandemia.
O carro mais fiável nos primeiros anos
Entre os veículos com 2 a 3 anos de idade, o modelo com menos falhas registadas é o Mazda2, com apenas 2,9% de defeitos relevantes. Trata-se da versão convencional a combustão, e não da variante híbrida desenvolvida em parceria com a Toyota. Apesar deste desempenho exemplar, o Mazda2 tem vendas discretas em Portugal quando comparado com rivais como o Dacia Sandero ou o MG ZS.

No segmento dos compactos, o destaque vai para o BMW Série 1, que apresenta um índice de defeitos de apenas 3,3%.
Elétricos começam a destacar-se
Um dos dados mais interessantes do estudo é o facto de, entre os citadinos com esta antiguidade, o modelo mais fiável ser já um elétrico: o Fiat 500e, com 4,2% de falhas. Um sinal claro da maturidade crescente da tecnologia elétrica, sobretudo num segmento que está a abandonar progressivamente os motores de combustão.
SUV e familiares: domínio alemão
Entre os automóveis de dimensão média, o Mercedes-Benz Classe C surge como o mais fiável, com 4,3% de defeitos, enquanto no universo dos SUV o Volkswagen T-Roc assume a liderança, com apenas 3%. Aliás, o T-Roc é também o modelo com menos falhas nas categorias de 4 a 5 anos e 6 a 7 anos de idade, em igualdade com o Volkswagen Golf Sportsvan.

Nos monovolumes e familiares compactos, o destaque vai para o Mercedes-Benz Classe B, igualmente com um índice de defeitos de 3%.
Os que melhor envelhecem
Analisando veículos com maior longevidade, o relatório mostra que os modelos da Mercedes-Benz são os que melhor resistem ao tempo. Entre automóveis com 10 a 11 anos, o Classe B apresenta um índice de falhas de 13,9%, enquanto nos modelos com 12 a 13 anos o Volkswagen Touareg lidera, com 17,9%.
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No escalão dos 8 a 9 anos, o melhor resultado pertence ao Mazda CX-3, com 9,7%, modelo entretanto substituído pelo CX-30.
Elétricos mais fiáveis
No segmento 100% elétrico, o Mini Cooper SE surge como o mais fiável, com 3,5% de defeitos, seguido pelo Audi Q4 e-tron (4,0%). Também apresentam bons resultados o BMW i3, o Hyundai IONIQ 5 e o Hyundai Kauai Elétrico, todos abaixo dos 5%.
Ranking das marcas
No balanço global, a Mercedes-Benz lidera como a marca mais fiável entre veículos com mais de 10 anos, com uma média de 18,5% de defeitos. Seguem-se Audi (19,2%) e Toyota (22%), à frente de Volkswagen, Skoda, Opel, Mazda, SEAT, Peugeot e BMW, todas com valores muito próximos entre si.
Com os preços dos automóveis novos em constante subida — tendência que deverá acentuar-se em 2026 —, relatórios como o da TÜV tornam-se uma ferramenta valiosa para quem pondera adquirir um carro usado. Ainda assim, importa ter em conta que as condições de utilização na Alemanha nem sempre refletem a realidade portuguesa, seja ao nível do clima, do tipo de percursos ou da manutenção.