O Audi A6 Sportback e-tron performance homologou 777 km de autonomia, mas conseguiu percorrer 1.338 km sem recarregar. O feito foi alcançado pelo piloto de ralis Miko Marczyk, que manteve um consumo médio de apenas 7,09 kWh/100 km.
Como é possível percorrer 1.338 quilómetros com uma única carga num automóvel elétrico que anuncia uma autonomia WLTP de 777 km? A resposta está numa combinação entre características técnicas do veículo, condições favoráveis e, sobretudo, uma condução orientada para a máxima eficiência.

O feito foi conseguido pelo piloto de ralis polaco Miko Marczyk, campeão europeu, ao volante de um Audi A6 Sportback e-tron performance, que estabeleceu um novo recorde mundial Guinness de distância percorrida por um automóvel elétrico com uma única carga.
O resultado supera os 1.205 km anteriormente alcançados por um Lucid Air Grand Touring em 2025.
Mais impressionante do que os 1.338 km é o consumo registado durante o percurso: apenas 7,09 kWh/100 km, aproximadamente metade dos valores de consumo WLTP anunciados para o Audi.
Um Audi preparado para a eficiência
O protagonista deste desafio foi o Audi A6 Sportback e-tron performance, uma berlina elétrica com 4,93 metros de comprimento e uma bateria com 94,9 kWh de capacidade líquida.
A carroçaria desempenhou um papel fundamental. Com um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,21 Cd, o A6 Sportback e-tron é apresentado como o Audi de produção mais aerodinâmico de sempre.
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O modelo utiliza ainda uma arquitetura elétrica de 800 volts e um motor elétrico traseiro com 270 kW (362 cv) e 565 Nm. Apesar das prestações, com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,4 segundos e uma velocidade máxima de 210 km/h, o objetivo durante o desafio foi precisamente o oposto: utilizar o mínimo de energia possível.
A autonomia homologada desta versão é de 777 km, enquanto o consumo médio WLTP situa-se entre 14,0 e 15,9 kWh/100 km.
Marczyk conseguiu reduzir esse valor para 7,09 kWh/100 km.
A regeneração foi uma das principais armas
Um dos elementos destacados pelo piloto foi o sistema de recuperação de energia do A6 Sportback e-tron.
O sistema de travagem regenerativa pode atingir 220 kW e, segundo os dados fornecidos pela marca, consegue assumir cerca de 95% das travagens realizadas durante a condução quotidiana.

Para Marczyk, saber utilizar corretamente a regeneração é fundamental para conseguir uma condução elétrica eficiente.
A ideia passa por recuperar energia durante as desacelerações em vez de transformar toda essa energia cinética em calor através dos travões convencionais.
Mas a regeneração, por si só, não explica os 1.338 km.
Condução suave e antecipação
O piloto explica que conhecer bem o automóvel é um dos primeiros passos para conseguir maximizar a autonomia.
Isso significa conhecer os diferentes modos de condução, perceber o comportamento do veículo em diferentes situações e aprender a tirar partido dos sistemas de recuperação de energia.
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Depois, há uma regra particularmente importante: evitar gastar energia que depois será necessário recuperar.
Marczyk recomenda uma condução suave e a capacidade de antecipar aquilo que acontece na estrada. Em vez de acelerar para travar logo de seguida, a estratégia passa por levantar antecipadamente o pé do acelerador e deixar o automóvel desacelerar de forma progressiva.
A mesma lógica aplica-se às acelerações. Acelerações desnecessárias e travagens bruscas representam energia que poderia simplesmente não ter sido utilizada.
45 horas ao volante
O desafio teve uma duração de 45 horas, durante as quais Marczyk percorreu a Polónia ao volante do Audi A6 Sportback e-tron performance.
As condições meteorológicas também tiveram importância. A temperatura média durante o percurso foi de aproximadamente 15 ºC, embora tenha descido para cerca de 7 ºC durante as primeiras horas da manhã.

Apesar de ter enfrentado tráfego intenso e períodos de hora de ponta, as condições térmicas foram consideradas favoráveis ao objetivo do desafio.
Temperaturas muito baixas ou muito elevadas poderiam ter prejudicado significativamente a eficiência, aumentando as necessidades energéticas do sistema de climatização e afetando o desempenho da bateria.
A aerodinâmica faz a diferença
Num automóvel elétrico, a velocidade tem uma influência particularmente importante no consumo, sobretudo devido à resistência aerodinâmica.
É precisamente aqui que o A6 Sportback e-tron beneficia das suas formas. O coeficiente de 0,21 Cd permite reduzir a quantidade de energia necessária para manter o veículo em movimento, especialmente quando a velocidade aumenta.
A grande bateria de 94,9 kWh fornece a capacidade energética necessária para percorrer longas distâncias, mas é a combinação entre essa bateria, a eficiência do sistema elétrico, a aerodinâmica e a condução que permite explorar uma autonomia muito superior ao valor WLTP.
Não é uma autonomia que se consiga reproduzir facilmente
O recorde demonstra o potencial de eficiência do Audi A6 Sportback e-tron, mas os 1.338 km não devem ser interpretados como uma autonomia normal em utilização diária.
O valor WLTP de 777 km é obtido através de um ciclo de homologação padronizado, enquanto o recorde resulta de uma condução especificamente orientada para minimizar o consumo durante dezenas de horas.
A diferença entre os dois valores é, por isso, enorme: 561 km adicionais, ou cerca de 72% acima da autonomia homologada.
Mais do que demonstrar que qualquer condutor poderá percorrer 1.338 km com um A6 e-tron, o desafio mostra até que ponto a eficiência de um automóvel elétrico pode variar em função das condições de utilização e do estilo de condução.
E as principais regras deixadas por Miko Marczyk são relativamente simples: conhecer bem o carro, antecipar o trânsito, acelerar suavemente, evitar travagens desnecessárias e aproveitar ao máximo a recuperação de energia.