O novo Dacia Spring partilha plataforma, motor, bateria e até fábrica com o Renault Twingo elétrico, mas deverá chegar ao mercado por um preço significativamente inferior. A explicação está numa estratégia muito própria da Dacia: aproveitar ao máximo componentes comuns e cortar custos onde estes não são essenciais para a utilização diária.
A nova geração do Dacia Spring não tem praticamente nada a ver com o modelo atualmente à venda. Desenvolvido sobre a plataforma RGEV Small, o novo elétrico será produzido na mesma fábrica do Twingo, em Novo Mesto, na Eslovénia, e utilizará o mesmo conjunto mecânico de 82 cv e bateria de 27,5 kWh.

Ainda não são conhecidos os preços definitivos para Portugal, mas a Dacia já confirmou que pretende manter o Spring como uma das propostas elétricas mais acessíveis do mercado, com um preço inferior a 18.000 euros (fala-se em 17.900 euros, mais 1.000 euros em relação à geração anterior).
Se a marca cumprir esse objetivo, o Spring poderá ficar mais de 1.500 euros abaixo do Renault Twingo elétrico, mesmo partilhando grande parte da sua base técnica.
Mas como é que isso é possível?
1. A Dacia aproveita o mesmo desenvolvimento
A primeira explicação está naquilo que os dois modelos têm em comum.
O Spring e o Twingo recorrem à mesma plataforma RGEV Small, ao mesmo motor elétrico de 82 cv e à mesma bateria de 27,5 kWh. Ambos são igualmente produzidos em Novo Mesto.

A Dacia consegue, desta forma, beneficiar de economias de escala e evitar os custos associados ao desenvolvimento de uma plataforma, motor ou bateria específicos.
Mas há outro fator importante: o tempo de desenvolvimento.
A marca diz ter conseguido desenvolver o novo Spring em apenas 18 meses, um prazo extremamente curto para um automóvel europeu. Ao reutilizar tecnologias e componentes já existentes no grupo, a Dacia consegue reduzir não só os custos de engenharia, mas também o tempo necessário para colocar o modelo em produção.
2. Materiais mais simples onde é possível poupar
A segunda grande diferença está no interior.
Embora a estrutura da carroçaria e os vidros sejam partilhados com o Twingo, a Dacia recorre a materiais e plásticos mais simples, sobretudo no habitáculo.
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É uma estratégia que faz parte do próprio posicionamento da marca: eliminar aquilo que considera desnecessário e concentrar o orçamento nas características que têm impacto direto na utilização do automóvel.

Isso não significa, contudo, que o novo Spring tenha um aspeto tão básico como o seu antecessor. A Dacia recorre a inserções de cor e alguns elementos de ambiente para criar um interior visualmente mais apelativo, sem aumentar significativamente os custos de produção.
3. Menos equipamento no modelo de entrada
O equipamento é outra das áreas onde a Dacia consegue reduzir o preço.
Na versão Expression, por exemplo, o Spring não inclui o grande ecrã tátil de 10,1 polegadas. Em seu lugar, existe um painel de instrumentos de 7 polegadas e uma solução bastante mais simples para o centro do tablier.
O espaço onde estaria o ecrã é ocupado por uma peça plástica que funciona simultaneamente como suporte para smartphone e pequeno espaço de arrumação.
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É uma solução que custa menos a fabricar e que segue perfeitamente a filosofia da Dacia: se o condutor já tem um smartphone, por que razão deverá pagar por um segundo ecrã se não necessita dele?
4. Algumas soluções do Twingo ficam de fora
A Dacia também evita determinadas soluções utilizadas pelo Renault Twingo que acrescentam complexidade e custos.
Um dos exemplos é o banco traseiro deslizante, uma das características que ajudam a tornar o Twingo particularmente versátil.

No Spring, essa solução não está disponível. Em contrapartida, a Dacia aproveita a configuração da carroçaria para oferecer uma bagageira maior, beneficiando também de um pequeno espaço de arrumação dianteiro.
É uma troca bastante típica da filosofia da marca: abdicar de uma solução sofisticada para ganhar espaço e manter o preço baixo.
5. Até as rodas ajudam a reduzir o preço
A estratégia de redução de custos chega a detalhes que podem parecer insignificantes, mas que ganham importância quando multiplicados por milhares de automóveis.





Na versão de entrada Expression, o novo Spring utiliza jantes de 15 polegadas, enquanto o Renault Twingo recorre a unidades de 16 polegadas.
A diferença de custo por automóvel pode ser relativamente pequena, mas numa produção em grande escala cada euro poupado acaba por ter impacto.
O segredo está em não gastar onde não é preciso
No fundo, a diferença entre o Spring e o Twingo não está tanto naquilo que existe debaixo da carroçaria, mas sobretudo naquilo que a Dacia escolheu não instalar.
Os dois modelos partilham uma parte significativa da tecnologia fundamental: plataforma, motor, bateria e fábrica. A diferença surge depois na forma como cada marca utiliza essa base.






A Renault aposta num produto com maior preocupação com equipamento, versatilidade e acabamento. A Dacia procura manter apenas aquilo que considera essencial para cumprir a função de um pequeno automóvel elétrico urbano.
É precisamente essa abordagem que permite ao novo Spring apontar para um preço abaixo dos 18.000 euros, apesar de nascer praticamente do mesmo projeto do Twingo.
E é também a razão pela qual, neste caso, um automóvel mais barato não significa necessariamente uma tecnologia diferente. Significa, sobretudo, uma utilização mais seletiva dessa tecnologia.