A degradação da bateria continua a ser uma das principais preocupações de quem pondera a compra de um automóvel elétrico. Questões como a eventual necessidade de substituir a bateria ou a perda significativa de autonomia ao longo dos anos são frequentes. No entanto, os dados mais recentes indicam que a evolução tecnológica tem vindo a atenuar de forma clara este fenómeno.
De acordo com um estudo da Recurrent, empresa especializada na monitorização e análise de veículos elétricos através de dados telemáticos, a perda de autonomia após percursos muito elevados é, em média, inferior ao que muitos condutores receiam. Nos últimos cinco anos, a empresa recolheu informação real de utilização e carregamento de mais de 50 mil veículos elétricos, totalizando mais de mil milhões de quilómetros analisados.
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Neste levantamento em particular, foram avaliados cerca de mil automóveis elétricos que já ultrapassaram os 240 mil quilómetros. A análise comparou a autonomia real atual desses veículos com a autonomia real registada quando eram novos, afastando-se de valores homologados e aproximando-se do uso em condições reais.
Os resultados mostram que a perda de autonomia está fortemente relacionada com o ano de fabrico do veículo. Os modelos mais recentes apresentam uma degradação significativamente inferior, fruto da evolução nas químicas das baterias, da melhoria dos sistemas de gestão térmica e de um maior conhecimento sobre as melhores práticas de utilização e carregamento.

Veículos elétricos de primeira geração, como alguns modelos lançados em 2012, mantêm em média cerca de 81% da autonomia original após 240 mil quilómetros, percentagem que sobe para cerca de 84% em modelos de meados da década passada. Nos automóveis de segunda geração, produzidos entre 2017 e 2021, a autonomia residual situa-se, em média, entre 85% e 88%. Já os modelos mais recentes conseguem conservar aproximadamente 91% da autonomia inicial após o mesmo nível de utilização.
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O estudo aborda ainda a questão da substituição da bateria, outro dos receios comuns entre potenciais compradores. Embora seja possível que ocorram avarias, estas estão geralmente associadas a defeitos de fabrico e são, na maioria dos casos, cobertas pelas garantias dos fabricantes, que atualmente se situam, em média, entre sete e oito anos.
Os dados apontam, assim, para uma maior durabilidade das baterias dos veículos elétricos modernos, reforçando a ideia de que a degradação da autonomia é hoje um problema bem mais controlado do que nas primeiras gerações desta tecnologia.