A EBRO está de volta. O nome que durante décadas esteve associado ao mundo dos tratores e dos veículos de trabalho renasce agora com uma nova ambição e, desta vez, com um forte sotaque chinês. A histórica marca espanhola regressa ao mercado automóvel com uma nova geração de SUV desenvolvidos em parceria com a Chery, procurando conquistar um lugar num dos segmentos mais competitivos da atualidade.
Um dos modelos que melhor representa esta nova fase é o EBRO s700 PHEV, um SUV híbrido plug-in que combina 279 cv de potência, até 90 quilómetros de autonomia elétrica e uma autonomia total anunciada superior a 1200 quilómetros. Com preços a partir de 42.240 euros, promete muito equipamento, espaço e conforto para as famílias. Mas será que tem argumentos suficientes para enfrentar os modelos de marcas mais conhecidas? Fomos conhecê-lo ao volante.

Um SUV que não passa despercebido
O desenho exterior do s700 não apresenta uma identidade tão vincada como a de alguns dos seus concorrentes, mas também não cai no anonimato visual de outras propostas recém-chegadas ao mercado.
A dianteira é dominada por uma grelha de aspeto fechado e por grupos óticos elaborados, elementos que ajudam a criar uma imagem comum aos vários modelos da marca. O resultado é um SUV com uma presença consistente, embora sem grandes ousadias estéticas.
É quando olhamos para as dimensões que percebemos melhor o posicionamento do s700. Com 4,55 metros de comprimento, aproxima-se de modelos como o Toyota RAV4 e supera ligeiramente o Jaecoo 7 e o Volkswagen Tiguan em comprimento.

Esta dimensão coloca-o numa posição interessante para utilização familiar. Há espaço para acomodar cinco ocupantes, transportar bagagem e enfrentar as deslocações quotidianas sem que o automóvel pareça demasiado grande para circular em cidade.
A EBRO não reinventou a fórmula do SUV familiar, mas escolheu uma dimensão que lhe permite competir num dos segmentos mais disputados do mercado.
Interior espaçoso, com qualidade e tecnologia
Um interior tecnológico sem abandonar os botões
O habitáculo segue uma abordagem bastante atual.
À frente do condutor e do passageiro encontram-se dois ecrãs de 12,3 polegadas, formando uma superfície digital panorâmica.

O ecrã central é tátil e permite controlar navegação, multimédia e várias funções do veículo. Há ainda compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, além de carregamento sem fios de 50 W.
Um dos pontos positivos é que a EBRO não levou a digitalização ao extremo.
Continuam a existir alguns comandos físicos para funções que usamos frequentemente, incluindo determinados controlos na consola central.
Há ainda espaço para uma roda de controlo do volume e um seletor para alternar entre os modos de condução.
Num momento em que cada vez mais fabricantes estão a substituir praticamente todos os comandos por ecrãs táteis, é uma solução que merece ser valorizada.
A qualidade percebida também é um ponto forte.
A parte superior do tablier e das portas recorre a materiais de toque mais suave, enquanto a zona central apresenta superfícies com aspeto semelhante a couro.
Os bancos, por sua vez, utilizam acabamento Eco Skin.
A montagem transmite uma sensação sólida e existem vários espaços de arrumação no habitáculo, incluindo um compartimento debaixo da consola central e outro sob o apoio de braços.
O carregador sem fios fica escondido sob uma tampa deslizante, uma solução simples mas inteligente: permite carregar o smartphone sem o deixar exposto e sem criar reflexos incómodos no campo de visão.
Espaço atrás para adultos e uma bagageira generosa
Um dos pontos fortes do EBRO s700 está na forma como aproveita as suas dimensões exteriores.

Na segunda fila, o espaço para as pernas é generoso. Mesmo um passageiro com 1,83 metros de altura consegue sentar-se confortavelmente, enquanto a altura disponível para a cabeça também merece destaque.
Existem, contudo, algumas limitações. Os bancos traseiros não permitem ajustar longitudinalmente a posição nem alterar a inclinação das costas, soluções que encontramos em determinados concorrentes e que podem aumentar a versatilidade do habitáculo.
Ainda assim, para uma família que procure um SUV espaçoso, o s700 apresenta argumentos convincentes.
A bagageira anuncia 484 litros de capacidade, um valor competitivo entre os SUV híbridos plug-in desta dimensão. Supera, por exemplo, os 340 litros indicados para o Jaecoo 7 e para o Toyota RAV4 PHEV nas configurações referidas no ensaio.
É uma característica importante para quem precisa de transportar malas, compras ou equipamento familiar sem ter de fazer grandes concessões.

279 cv e mais de 1200 km de autonomia combinada
Em Portugal, o EBRO s700 está disponível com uma motorização híbrida plug-in que combina um motor 1.5 TGDI a gasolina, com 143 cv, com um sistema elétrico.
O motor elétrico principal desenvolve 204 cv e 310 Nm, enquanto a potência máxima combinada anunciada é de 279 cv, com um binário máximo de 365 Nm.
A transmissão automática 1DHT gere o funcionamento do conjunto, que envia a potência para as rodas dianteiras.
Os números permitem cumprir a aceleração dos 0 aos 100 km/h em 8,4 segundos e alcançar uma velocidade máxima de 180 km/h. Não são valores que transformem o s700 num SUV desportivo, mas oferecem potência suficiente para uma utilização familiar, incluindo ultrapassagens e viagens em autoestrada.
O principal argumento está, porém, na combinação entre a bateria e o motor a gasolina.
A bateria LFP, com cerca de 18,4 kWh de capacidade, permite anunciar até 90 km de autonomia elétrica no ciclo WLTP. Para quem carrega regularmente em casa ou no trabalho, esta distância pode ser suficiente para realizar uma grande parte das deslocações diárias sem consumir gasolina.

Quando é necessário percorrer centenas de quilómetros, o motor a combustão permite continuar viagem sem depender exclusivamente de postos de carregamento. Com a bateria e o depósito cheios, a autonomia combinada anunciada ultrapassa os 1200 km.
É uma das características mais interessantes do modelo: durante a semana, pode funcionar como um elétrico em muitos percursos; nas viagens longas, mantém a flexibilidade de um automóvel a gasolina.
Consumos interessantes mesmo sem carregar a bateria
O s700 PHEV suporta carregamentos até 40 kW em corrente contínua e até 6,6 kW em corrente alternada. A possibilidade de utilizar carregamento DC permite recuperar parte da energia da bateria durante uma paragem, embora a potência máxima seja bastante inferior à dos elétricos concebidos para carregamentos ultrarrápidos.
Mais interessante foi o consumo alcançado em estrada após aproximadamente 700 km percorridos sem qualquer carregamento externo, com o computador de bordo a indicar um consumo médio de 5,1 l/100 km.
É um valor impressionante para um SUV desta dimensão, com cerca de 1900 kg, sobretudo tendo em conta que não foi necessário recorrer regularmente à tomada para manter o consumo controlado.
Segundo a EBRO, o consumo combinado ponderado homologado é de 2,4 l/100 km, valor que depende naturalmente da utilização do sistema híbrido e da bateria carregada. O consumo combinado anunciado sem essa ponderação é de 5 l/100 km.

Na utilização real, a lógica é simples: quanto mais frequentemente for carregado, maior será a vantagem do sistema PHEV.
Se nunca o ligarmos à tomada, perde-se uma parte importante da razão de ser deste modelo e passamos a transportar uma bateria e um sistema elétrico que deixam de trazer o mesmo benefício.
É uma regra que se aplica a praticamente todos os híbridos plug-in, e o EBRO não é exceção.
Conforto em primeiro lugar
Ao volante, o EBRO s700 PHEV deixa claro que não foi desenvolvido para procurar recordes numa estrada de montanha.

A direção é leve e relativamente rápida, facilitando as manobras em cidade. No modo Sport ganha algum peso, mas não transforma o s700 num SUV desportivo.
E ainda bem.
A suspensão privilegia claramente o conforto, absorvendo com competência lombas, tampas de saneamento e outras irregularidades típicas da utilização urbana.
Em estrada sinuosa, essa afinação traduz-se numa maior inclinação da carroçaria e em algumas inércias, especialmente porque estamos perante um SUV relativamente alto.

Mas esta não é uma crítica particularmente grave. O s700 PHEV é um carro pensado para viajar com a família, e é precisamente em cidade e autoestrada que revela melhor as suas qualidades.
O silêncio proporcionado pelo motor elétrico, a entrega imediata de binário e a ausência de mudanças percetíveis tornam a condução particularmente tranquila.
O equipamento é um dos grandes argumentos
A relação entre preço e equipamento é uma das áreas em que o s700 PHEV procura distinguir-se dos rivais.
Em Portugal, a versão Premium começa nos 42.240 euros. Por mais 2.000 euros, a versão Luxury acrescenta equipamento que pode fazer diferença na utilização diária.

Entre os elementos adicionais encontram-se bancos dianteiros com regulação elétrica, aquecimento e ventilação, teto panorâmico, Head-Up Display e vidros traseiros escurecidos.
A estes equipamentos juntam-se os sistemas multimédia, os ecrãs digitais e as tecnologias de assistência à condução que ajudam a tornar o automóvel mais completo.
A versão Luxury ensaiada parece, assim, uma opção a considerar por quem pretende maximizar o conforto e a conveniência. A diferença de preço não é insignificante, mas o equipamento adicional ajuda a justificar o posicionamento da versão mais equipada.
Veredicto: um SUV que merece atenção
O s700 destaca-se pela combinação de espaço familiar, conforto, equipamento e uma motorização híbrida plug-in com autonomia elétrica suficiente para muitas deslocações quotidianas. A possibilidade de ultrapassar os 1200 km de autonomia combinada anunciada também permite encarar viagens longas sem a necessidade de planear paragens para carregar a bateria.
O consumo médio de 5,1 l/100 km sem carregamentos externos e os 90 km de autonomia elétrica são outros pontos positivos.























O maior desafio da EBRO poderá estar na confiança dos compradores. Num segmento dominado por marcas com décadas de presença e reputação consolidada, conquistar clientes exige mais do que uma ficha técnica apelativa.
O s700 PHEV dá à EBRO bons argumentos para começar essa conquista. Não impressiona pela dinâmica, mas convence pela versatilidade, pelo conforto e pela forma como combina a utilização elétrica no quotidiano com a liberdade de um híbrido nas viagens mais longas.

