O grupo Stellantis quer colocar as suas marcas entre as referências do mercado em matéria de qualidade e fiabilidade. Para atingir esse objetivo, Antonio Filosa, CEO da empresa, confirmou a contratação de mais de 2.000 engenheiros e a criação de 50 equipas especializadas para identificar e resolver problemas com maior rapidez.
A qualidade passou a ser uma das prioridades da estratégia da Stellantis. Depois de um período marcado por problemas de qualidade em vários modelos e por uma política de redução de custos durante a liderança de Carlos Tavares, o grupo está agora a reforçar os recursos de engenharia para evitar que as falhas cheguem aos clientes.

Antonio Filosa, atual diretor executivo da empresa, confirmou que foram contratados mais de 2.000 engenheiros, com funções dedicadas à deteção e resolução de problemas. O grupo criou também 50 estruturas de trabalho, descritas como salas de crise, para acelerar a resposta a eventuais falhas.
O objetivo passa por identificar problemas e atuar sobre eles «muito, muito, muito rapidamente», segundo Filosa.
A ambição é alcançar, até 2028, o primeiro quartil em qualidade em todos os segmentos e mercados onde o grupo está presente. Na prática, a Stellantis pretende colocar os seus automóveis entre os 25% mais bem classificados do mercado neste indicador.
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Filosa já tinha descrito esta mudança como um reinício da organização, com uma revisão dos processos de gestão da qualidade e da execução operacional. A administração considera que as decisões tomadas anteriormente, nomeadamente ao nível da redução de custos e dos recursos de engenharia, contribuíram para os problemas que agora procura resolver.
Garantias mais longas e nova estratégia para as marcas
O reforço da engenharia é acompanhado por outras medidas destinadas a recuperar a confiança dos clientes. Algumas marcas do grupo, como a Citroën e a Peugeot, lançaram iniciativas de garantia alargada, procurando oferecer maior tranquilidade aos compradores. No caso da Citroën, a cobertura pode chegar aos oito anos.
Outra alteração passa pela integração do responsável pela qualidade, Sébastien Jacquet, na equipa de liderança estratégica da Stellantis, reforçando o peso desta área nas decisões do grupo.

Estas medidas fazem parte de uma reorganização mais abrangente, enquadrada no plano estratégico FaSTLAne 2030, que prevê investimentos de 60 mil milhões de euros ao longo de cinco anos, com o objetivo de acelerar o crescimento e melhorar a rentabilidade.
O plano assenta em seis áreas principais: gestão mais rigorosa do portefólio de marcas, investimento em plataformas e tecnologias globais, desenvolvimento de parcerias estratégicas, otimização da estrutura industrial, melhoria da execução e reforço das regiões e equipas locais.
Stellantis vai lançar mais de 60 modelos até 2030
A reorganização contempla também uma nova estrutura para as marcas do grupo. A Stellantis passa a distinguir quatro marcas globais — FIAT, Jeep, Peugeot e RAM — e cinco marcas regionais: Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge e Opel.

Em conjunto com a divisão de veículos comerciais Pro One, as quatro marcas globais receberão 70% do investimento destinado a marcas e produtos. A DS Automobiles e a Lancia serão geridas, respetivamente, pela Citroën e pela FIAT, mantendo-se como marcas especializadas.
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No plano de produto, a Stellantis prevê lançar mais de 60 novos modelos até 2030, além de realizar cerca de 50 atualizações de modelos existentes.
A ofensiva anunciada inclui 29 automóveis 100% elétricos, 15 híbridos plug-in ou elétricos com extensor de autonomia, 24 híbridos e 39 modelos com motores de combustão ou tecnologia mild-hybrid.
Com o reforço das equipas de engenharia, a revisão dos processos internos e uma renovação profunda da oferta, a Stellantis procura responder aos problemas de qualidade do passado e estabelecer uma nova referência para as suas marcas nos próximos anos.