A Renault enfrenta um problema legal na Alemanha que poderá levá-la a suspender temporariamente a comercialização do Mégane E-Tech, um dos seus principais modelos elétricos na Europa. A situação resulta de um litígio judicial relacionado com a alegada violação de uma patente detida pela empresa norte-americana Broadcom.
Um tribunal de Munique decidiu recentemente que a Renault utilizou tecnologia patenteada da Broadcom sem a devida licença em dois modelos: o Clio de quinta geração e o Mégane elétrico. Na sequência desta decisão, foi determinada a interrupção das vendas destes veículos em território alemão, embora a marca francesa já tenha apresentado recurso da decisão.
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O diferendo prende-se com a utilização de uma tecnologia associada aos sistemas de conectividade e às ligações de rede integradas nos veículos. A Renault contesta a validade da patente em causa e avançou com ações legais para tentar anulá-la, um processo que poderá prolongar-se no tempo. A construtora sublinha que se trata de uma situação pontual e que, para já, não afeta outros mercados europeus.

Entretanto, o facto de o novo Clio não apresentar o mesmo problema técnico, apesar de partilhar plataforma com o modelo anterior, levanta a possibilidade de o próximo restyling do Mégane vir a adotar componentes eletrónicos diferentes, contornando a patente da Broadcom.
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A Alemanha é atualmente o maior mercado europeu de veículos elétricos, o que torna este impasse particularmente sensível para a Renault. Embora o novo Renault 5 elétrico seja o principal modelo da marca neste segmento, o Mégane continua a desempenhar um papel relevante, sobretudo junto de frotas empresariais, onde o segmento dos compactos mantém maior peso do que noutros mercados europeus, mais dominados por SUV.

Não é a primeira vez que a Broadcom se envolve em disputas deste género no setor automóvel: em 2018, a empresa moveu uma ação semelhante contra o Grupo Volkswagen, um processo que acabou por ser resolvido fora dos tribunais. Por este motivo, analistas admitem que a Renault poderá encontrar uma solução negociada, até porque os modelos afetados se aproximam do fim do seu atual ciclo de vida comercial.
O Mégane E-Tech deverá receber uma atualização ainda este ano, com lançamento previsto para o outono. A renovação trará alterações subtis ao nível do design, mas as principais novidades estarão na componente técnica, incluindo uma nova bateria LFP (fosfato de ferro-lítio), mais económica do que a atual NCM, melhorias na autonomia — que poderá ultrapassar os 500 km WLTP — e tempos de carregamento mais rápidos, reforçando a aptidão do modelo para viagens de longa distância.