Nos últimos tempos, a Stellantis tem vindo a tomar decisões estratégicas relevantes para o seu futuro industrial. Depois de anunciar o abandono dos problemáticos motores PureTech, o grupo prepara-se agora para prolongar a vida do diesel, através do desenvolvimento de um novo motor 1.6 litros compatível com a norma Euro 7.
O atual 1.5 BlueHDi deverá sair de cena mais cedo do que estava previsto. A nova liderança da Stellantis acredita que nem todos os clientes estão prontos para fazer a transição para veículos 100% elétricos e que impor essa mudança pode ser um erro estratégico. Essa visão já se refletiu, por exemplo, no adiamento dos novos Giulia e Stelvio, que só deverão chegar em 2028, após serem reformulados para manter opções de combustão interna.
Embora as marcas do grupo tenham autonomia para escolher as tecnologias de propulsão, a orientação geral passa por continuar a oferecer versões elétricas, sem excluir outras soluções. A Stellantis reconhece que ainda existe uma procura significativa por motores diesel, sobretudo por parte de clientes empresariais e frotas. Atualmente, apenas um modelo do grupo mantém este tipo de motorização: o Alfa Romeo Tonale, recentemente atualizado.
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A expectativa é que este SUV compacto venha a estrear o novo motor diesel Euro 7. Em paralelo com o fim definitivo dos PureTech a gasolina, o grupo prepara-se também para abandonar o 1.5 BlueHDi de origem francesa, que revelou problemas de fiabilidade, nomeadamente na corrente de distribuição. Apesar de inicialmente estar previsto que este motor fosse adaptado à norma Euro 7 e mantido até 2030, o plano foi entretanto cancelado.

Em alternativa, a Stellantis está a trabalhar num novo motor diesel 1.6 litros de origem italiana, derivado da família Multijet. De acordo com fontes próximas do projeto, este propulsor poderá servir de base para versões com tecnologia híbrida ligeira. A estratégia passa por combinar o novo diesel com a caixa automática de dupla embraiagem eDCT6, já utilizada nas versões híbridas a gasolina de vários modelos do grupo.
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Esta transmissão integra um pequeno motor elétrico alimentado por um sistema de 48 volts, permitindo pequenas deslocações em modo 100% elétrico e contribuindo para a redução de consumos e emissões. A introdução deste conjunto implicará o abandono da atual caixa TCT em alguns modelos, mas trará ganhos de eficiência para quem procura a autonomia característica do diesel aliada a soluções eletrificadas.
A chegada deste novo motor poderá levar algumas marcas da Stellantis a reavaliar a sua estratégia face ao diesel, sobretudo em segmentos onde esta tecnologia continua a ter forte aceitação, como nos veículos comerciais ligeiros e nos monovolumes de maiores dimensões.
A apresentação oficial do novo plano industrial do grupo deverá acontecer a 21 de maio, nos Estados Unidos, ocasião em que serão revelados mais detalhes sobre esta nova motorização. Para já, sabe-se que o novo diesel não irá estrear no Tonale, mas sim num modelo inédito previsto para 2026, podendo o futuro DS Nº7 ou o novo Lancia Gamma ser os primeiros a recebê-lo.