A Tesla vai descontinuar os seus dois modelos de topo, o Model S e o Model X, colocando um ponto final a uma era iniciada em 2012 e 2015, respetivamente. O anúncio foi feito por Elon Musk durante a conferência de apresentação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025, confirmando que a produção terminará no segundo trimestre deste ano.
Apesar de terem sido pioneiros e referências no universo dos veículos elétricos, a longevidade começou a pesar. Desde 2023, a Tesla deixou de divulgar os números de vendas individuais destes modelos, integrando-os na categoria de “outros modelos”, juntamente com o Cybertruck e o camião Semi. Ainda assim, a quebra de procura tornou-se evidente.
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Em 2025, as vendas globais combinadas do Model S, Model X, Cybertruck e Semi totalizaram apenas 50.850 unidades. Estima-se que os dois automóveis de passageiros tenham representado cerca de 30 mil unidades, um valor muito inferior à capacidade anual de produção da fábrica de Fremont, na Califórnia, que ronda os 100 mil veículos.

Ao longo dos anos, a Tesla introduziu vários restylings para prolongar o ciclo de vida do Model S e do Model X, o mais recente há cerca de sete meses. No entanto, as atualizações foram limitadas, incluindo melhorias subtis na autonomia, iluminação ambiente, uma nova câmara frontal, uma nova cor exterior e um aumento de preço — insuficientes para recuperar a competitividade face a rivais mais recentes.
Segundo Elon Musk, a decisão de terminar a produção está ligada à mudança estratégica da empresa, cada vez mais focada na tecnologia autónoma e na robótica. A linha de montagem de Fremont será reconvertida para a produção dos robots humanoides Optimus. Com esta decisão, a gama da Tesla fica ainda mais reduzida, passando a depender essencialmente dos Model 3 e Model Y, lançados em 2017 e 2019, respetivamente, além do Cybertruck, cujo desempenho comercial tem ficado aquém das expectativas.

O Model S é amplamente reconhecido como um dos automóveis mais importantes da história recente da indústria. Foi o primeiro modelo da Tesla produzido em grande escala e desempenhou um papel decisivo na mudança de perceção dos veículos elétricos, ao combinar design apelativo, elevado desempenho e autonomia suficiente para viagens longas, apoiadas pela então inovadora rede de Superchargers.
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Já o Model X destacou-se pelas suas portas traseiras de abertura vertical, conhecidas como “Falcon Wings”, que rapidamente se tornaram um elemento distintivo do SUV elétrico e um símbolo de modernidade, especialmente em mercados como o norte-americano. Ainda assim, com o passar dos anos, ambos os modelos perderam relevância face a propostas mais recentes de marcas como Audi, BMW, Mercedes-Benz, Lucid, Rivian ou até novos construtores asiáticos.