A integração vertical, a produção própria de baterias e a concentração de vários componentes num único sistema ajudam a explicar a vantagem competitiva da BYD. Uma análise realizada por engenheiros japoneses, que desmontaram um Atto 3, revelou como o fabricante chinês controla grande parte do processo de produção para reduzir custos.
O preço dos carros elétricos chineses continua a pressionar os fabricantes europeus e japoneses. Enquanto as marcas tradicionais procuram formas de tornar a produção mais económica, a BYD aposta numa estratégia industrial assente no controlo de uma parte significativa da cadeia de produção, desde as baterias até aos sistemas de propulsão.
A diferença não está apenas na dimensão das fábricas ou no volume de veículos produzidos. A capacidade de desenvolver e fabricar internamente muitos dos componentes utilizados nos seus automóveis permite à marca reduzir a dependência de fornecedores externos, limitar intermediários e controlar melhor os custos.
Engenheiros japoneses analisaram um BYD Atto 3
Durante uma conferência organizada pelo Gabinete Económico e Comercial do Japão, mais de 70 fornecedores da indústria automóvel analisaram o modelo industrial da BYD. Para compreender melhor os métodos de produção do fabricante chinês, os engenheiros desmontaram um BYD Atto 3, um dos modelos que contribuiu para a expansão internacional da marca.
A análise revelou um elevado nível de integração vertical. De acordo com as conclusões divulgadas, a BYD fabrica internamente praticamente todos os componentes examinados, recorrendo a fornecedores externos para elementos como os vidros e os pneus.

Esta abordagem permite simplificar a cadeia de abastecimento, reduzir o número de intermediários e ter maior controlo sobre os processos de fabrico e montagem. Num mercado em que o custo dos componentes pode determinar a competitividade de um automóvel elétrico, esta capacidade representa uma vantagem importante.
A bateria é uma das peças-chave da estratégia
As baterias representam uma parcela significativa do custo de produção de um automóvel elétrico. A BYD beneficia, neste campo, de uma característica que nem todos os fabricantes automóveis possuem: além de produzir veículos, é também um dos principais fabricantes mundiais de baterias.
Segundo os dados citados na análise original, a empresa detinha uma quota de 16,4% do mercado mundial de baterias para automóveis elétricos, enquanto a sua principal concorrente, a CATL, alcançava 37,1%.
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Estes valores ajudam a perceber a importância das baterias na estratégia industrial da BYD. O controlo desta tecnologia permite reduzir a exposição às oscilações de preços e à disponibilidade de componentes fornecidos por terceiros.
Ainda assim, a competitividade da marca não depende apenas das baterias. As economias de escala, a logística, a integração dos sistemas eletrónicos e a capacidade de produção também contribuem para reduzir os custos.
Um sistema que reúne oito componentes numa única unidade
Outra das soluções que ajudam a explicar a abordagem da BYD é o sistema de propulsão integrado e-Axle. No Atto 3, esta arquitetura reúne oito elementos elétricos e eletrónicos numa única unidade, incluindo o motor elétrico, o inversor, o redutor, a unidade de controlo do veículo e vários sistemas de gestão e alimentação elétrica.
Ao concentrar diferentes funções num conjunto integrado, a marca consegue reduzir o número de componentes independentes, simplificar a montagem e aproveitar melhor o espaço disponível.
Esta integração pode também diminuir a complexidade do processo de fabrico, ao mesmo tempo que facilita a coordenação entre os diferentes sistemas do automóvel.
BYD fabrica internamente mais componentes do que a Tesla
A diferença de abordagem face a outros fabricantes também surge no grau de produção interna. Segundo uma análise da UBS citada na informação original, a BYD fabrica internamente cerca de 75% dos componentes dos seus veículos, contra aproximadamente 46% num Tesla Model 3 produzido na China.
Estes valores dependem da metodologia utilizada e da forma como são contabilizados os componentes, pelo que devem ser interpretados como indicadores da estratégia industrial de cada fabricante, e não como uma comparação absoluta dos respetivos custos de produção.
Ainda assim, os números ilustram a aposta da BYD no controlo da cadeia de abastecimento. Ao desenvolver e fabricar internamente uma parte significativa dos componentes, a empresa consegue coordenar melhor a produção e reduzir a dependência de empresas externas.
Frota própria de navios ajuda a controlar os custos
A estratégia da BYD não termina à saída da fábrica. A empresa está também a reforçar o controlo sobre o transporte dos seus veículos para os mercados internacionais, através de uma frota de navios que deverá chegar às 18 unidades.
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Um dos exemplos mais conhecidos é o BYD Explorer No. 1, concebido para transportar milhares de automóveis em cada viagem.
Num negócio global, os custos logísticos e de distribuição também influenciam o preço final dos veículos. Dispor de capacidade própria de transporte permite à marca reduzir a dependência de operadores externos e ganhar maior controlo sobre a movimentação dos automóveis entre os locais de produção e os mercados de destino.
Fábrica na Hungria prepara nova etapa na Europa
A BYD está igualmente a transferir parte da sua capacidade industrial para a Europa. A empresa está a construir uma fábrica de automóveis de passageiros em Szeged, na Hungria, com o objetivo de produzir veículos mais perto dos clientes europeus.
De acordo com a informação original, o início da produção foi adiado para o final de 2026. A unidade deverá permitir fabricar modelos localmente e reduzir a dependência das importações provenientes da China.
O grupo anunciou ainda a instalação da sua sede europeia em Budapeste, bem como de um centro de investigação e desenvolvimento. Estas estruturas reforçam a presença da marca na região e poderão ajudar a adaptar os produtos às necessidades dos mercados europeus.
A produção local, contudo, não garante automaticamente preços mais baixos. O resultado dependerá também dos custos laborais, do investimento industrial, da logística e do volume de veículos que a fábrica conseguir produzir.
Como consegue a BYD vender carros elétricos a preços competitivos?
A análise ao BYD Atto 3 ajuda a perceber que não existe um único segredo por detrás da competitividade da marca chinesa. A vantagem resulta da combinação de vários fatores: produção própria de baterias, desenvolvimento interno de componentes, integração de sistemas, economias de escala e controlo da logística.
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Ao mesmo tempo, a expansão industrial na Europa poderá acrescentar uma nova dimensão a esta estratégia, aproximando a produção dos consumidores e reduzindo a dependência das importações.
É esta combinação que ajuda a explicar a pressão exercida pela BYD sobre os fabricantes tradicionais. Mais do que produzir automóveis elétricos, a marca construiu um modelo industrial em que procura controlar grande parte das etapas necessárias para os fabricar e entregar aos clientes.