O novo BMW i3 e o Mercedes-Benz Classe C elétrico chegam ao mercado com uma missão semelhante: transportar para o mundo elétrico duas das berlinas mais conhecidas da indústria alemã. Mas apesar de estarem próximos em conceito, preço e posicionamento, seguem caminhos bastante diferentes. O BMW aposta na eficiência e na autonomia, enquanto o Mercedes-Benz coloca o conforto, o espaço e a tecnologia no centro da proposta.
O mercado das berlinas elétricas premium ganhou dois novos protagonistas. De um lado está o BMW i3, a versão 100% elétrica do novo Série 3 e segundo modelo da geração Neue Klasse. Do outro surge o Mercedes-Benz Classe C elétrico, desenvolvido de raiz sobre a plataforma MB.EA.

Os dois têm tração integral, dois motores elétricos e prestações que já seriam suficientes para satisfazer praticamente qualquer utilização. Mas basta olhar para a ficha técnica para perceber que as prioridades não são exatamente as mesmas.
O BMW é mais compacto, mais leve na proposta e começa nos 59.500 euros na versão i3 40 xDrive, enquanto o Mercedes-Benz C 400 4MATIC elétrico custa 70.600 euros em Portugal. O i3 50 xDrive, com 469 cv, aproxima-se mais do Mercedes em potência e custa 65.500 euros.
O resultado é uma comparação particularmente interessante: BMW para quem valoriza eficiência, autonomia e condução; Mercedes-Benz para quem procura espaço, conforto e tecnologia.
Mais autonomia e eficiência no BMW, mais potência e conforto no Mercedes
O BMW i3 está disponível inicialmente em duas versões. O i3 40 xDrive tem 374 cv, bateria de 82,8 kWh e até 710 km de autonomia WLTP. Já o i3 50 xDrive sobe para 469 cv, 108,7 kWh e até 912 km WLTP.
Leia ainda: Novo BMW i3 já tem preços para Portugal
O Mercedes-Benz Classe C elétrico chega, para já, exclusivamente como C 400 4MATIC, com dois motores elétricos que desenvolvem 489 cv e 800 Nm. A bateria tem 94,5 kWh úteis e a autonomia anunciada chega aos 743 km nos dados atualmente homologados para o mercado português.
Ou seja, o Mercedes tem mais potência do que qualquer um dos i3 atualmente disponíveis, mas o BMW consegue uma vantagem muito significativa em autonomia na versão i3 50.

Esta diferença também mostra duas filosofias distintas. No BMW, a bateria de 108,7 kWh permite chegar aos 912 km WLTP, mas o modelo mantém um consumo combinado anunciado entre 13,4 e 15,9 kWh/100 km, dependendo da versão e configuração. O Mercedes anuncia 14,6 kWh/100 km na configuração atualmente disponível.
Em utilização real, naturalmente, os valores WLTP não devem ser confundidos com a autonomia que será obtida em autoestrada, com temperaturas baixas ou a velocidades elevadas. Ainda assim, a vantagem teórica do BMW é clara.
O Mercedes é mais rápido, mas o BMW não fica muito atrás
Se o objetivo for simplesmente acelerar, o Classe C elétrico leva vantagem.
O C 400 4MATIC precisa de cerca de 4,0 segundos dos 0 aos 100 km/h, enquanto o i3 50 xDrive cumpre a mesma aceleração em 4,7 segundos. O i3 40 xDrive demora 5,4 segundos.
Leia ainda: Mercedes Classe C elétrico já tem preços
Não estamos, portanto, perante diferenças que sejam particularmente relevantes para a utilização quotidiana. Qualquer um dos três oferece prestações muito superiores às necessárias para uma berlina familiar.
Mais interessante é a forma como cada marca aborda a dinâmica. O BMW mantém a tradição da marca e recorre à tração integral xDrive, enquanto a nova arquitetura elétrica permite controlar a entrega de potência através dos dois motores.

O Mercedes-Benz acrescenta uma suspensão pneumática AIRMATIC e um eixo traseiro direcional capaz de virar até 4,5 graus. A solução procura tornar o Classe C mais ágil em cidade e curva, mas também mais estável em autoestrada.
Aqui está uma das maiores virtudes do Mercedes: conseguir combinar uma potência muito elevada com uma proposta orientada para o conforto.
Mais espaço no Classe C, mas o BMW não é propriamente pequeno
As dimensões também revelam duas interpretações diferentes.
O BMW i3 mede 4,76 metros de comprimento, 1,865 m de largura, 1,48 m de altura e tem uma distância entre eixos de 2,897 m. A bagageira oferece 420 litros, aos quais se juntam 31 litros no compartimento dianteiro.
O Mercedes é ligeiramente maior: 4,883 metros de comprimento, 1,892 m de largura e 1,503 m de altura. A distância entre eixos é igualmente generosa e chega aos 2,962 m. A bagageira traseira oferece 470 litros e existe ainda um frunk de 101 litros.
Na prática, o Classe C elétrico tem uma vantagem clara para quem transporta passageiros ou utiliza frequentemente o automóvel em viagens longas.
Os 570 litros combinados de capacidade de carga do Mercedes também são uma vantagem importante para uma berlina familiar. O BMW responde com 451 litros entre bagageira traseira e compartimento dianteiro, mas fica claramente atrás neste capítulo.
BMW ganha no carregamento rápido
É precisamente aqui que o BMW recupera terreno.
O i3 50 xDrive suporta carregamento DC até 400 kW e pode recuperar até 423 km de autonomia em 10 minutos, em condições adequadas. O i3 40 xDrive suporta até 300 kW e pode recuperar até 337 km no mesmo período.
O Mercedes-Benz utiliza uma arquitetura de 800 V e suporta até 330 kW em corrente contínua. A marca anuncia a recuperação de até 320 km em 10 minutos.

Ambos estão, portanto, entre os elétricos mais interessantes para quem faz viagens longas. Mas o BMW apresenta uma combinação particularmente forte entre autonomia elevada e potência de carregamento.
Há ainda outra vantagem importante no Mercedes: através de um conversor DC adicional, consegue utilizar postos rápidos convencionais de 400 V. O modelo suporta também carregamento bidirecional.
No interior, a escolha é entre minimalismo e espetáculo tecnológico
O BMW i3 estreia o Panoramic iDrive, com um novo conceito de interação que inclui o BMW Panoramic Vision, o ecrã central e o novo sistema operativo BMW Operating System X.
É uma abordagem bastante diferente daquilo que encontramos no Série 3 anterior e representa uma das maiores mudanças introduzidas pela Neue Klasse.
O Mercedes segue uma filosofia mais próxima de um verdadeiro salão tecnológico. Dependendo do equipamento, pode receber o MBUX Superscreen ou o MBUX Hyperscreen de 39,1 polegadas, que ocupa praticamente todo o tablier.


E a lista de equipamento pode crescer bastante: teto panorâmico SKY CONTROL, bancos com ventilação e massagem, sistema Burmester 4D, iluminação ambiente e até 162 estrelas integradas no teto panorâmico.
É difícil dizer que um é simplesmente melhor do que o outro neste capítulo. O BMW aposta numa interface mais limpa e integrada, enquanto o Mercedes procura criar um efeito mais luxuoso e tecnológico.
E há um problema: o preço do Mercedes
É aqui que a comparação fica particularmente interessante.
O BMW i3 40 xDrive custa 59.500 euros em Portugal. O i3 50 xDrive, com 469 cv e até 912 km de autonomia, parte dos 65.500 euros. Já o Mercedes-Benz C 400 4MATIC elétrico começa nos 70.600 euros.
Leia ainda: BMW i4 vai mudar de formato e ganhar versões coupé e descapotável
Isto significa que um comprador que pretenda simplesmente um elétrico premium com muita autonomia pode encontrar no BMW uma proposta difícil de ignorar.

Por cerca de 5.000 euros menos do que o Mercedes, o i3 50 xDrive oferece mais autonomia e ainda apresenta uma potência muito próxima. A diferença de preço aumenta para mais de 11.000 euros quando comparamos o Mercedes com o i3 40 xDrive.
O Mercedes justifica parte desse valor com mais potência, maior espaço, uma bagageira mais generosa, suspensão pneumática, eixo traseiro direcional e uma oferta tecnológica e de conforto muito extensa.
O problema é que muito desse equipamento é opcional, pelo que o preço final pode subir rapidamente.
BMW i3 ou Mercedes Classe C elétrico?
| BMW i3 40 xDrive | BMW i3 50 xDrive | Mercedes C 400 4MATIC | |
|---|---|---|---|
| Potência | 374 cv | 469 cv | 489 cv |
| Bateria | 82,8 kWh | 108,7 kWh | 94,5 kWh |
| Autonomia WLTP | 710 km | 912 km | 743 km |
| 0-100 km/h | 5,4 s | 4,7 s | 4,0 s |
| Carregamento DC | 300 kW | 400 kW | 330 kW |
| Comprimento | 4,76 m | 4,76 m | 4,883 m |
| Bagageira | 420 + 31 l | 420 + 31 l | 470 + 101 l |
| Preço Portugal | 59.500 € | 65.500 € | 70.600 € |
O BMW i3 tem como principais argumentos…
- Autonomia muito elevada, sobretudo no i3 50 xDrive;
- melhor relação entre preço, potência e autonomia;
- carregamento DC até 400 kW;
- dimensões mais compactas;
- nova tecnologia Neue Klasse;
- condução que promete manter a tradição dinâmica da BMW.
Mas também tem alguns defeitos…
- bagageira menor do que a do Mercedes;
- menos espaço e vocação familiar;
- o design pode dividir opiniões;
- algumas das tecnologias mais interessantes dependem do equipamento escolhido;
- o i3 40, apesar de mais barato, tem uma bateria significativamente menor.
Já o Mercedes Classe C elétrico destaca-se por…
- conforto e qualidade a bordo;
- maior espaço interior;
- 570 litros de capacidade de carga combinada;
- 489 cv e 800 Nm;
- suspensão pneumática AIRMATIC;
- eixo traseiro direcional;
- arquitetura de 800 V e carregamento até 330 kW;
- enorme oferta tecnológica e de equipamento.
Mas tem igualmente alguns pontos menos favoráveis…
- preço de entrada significativamente superior ao do i3;
- peso elevado, com 2.460 kg em vazio;
- muita da tecnologia mais sofisticada está associada a opções e pacotes;
- autonomia WLTP inferior à do i3 50 xDrive;
- a carroçaria fastback não será tão consensual como a tradicional berlina.
Dois elétricos alemães, duas interpretações
No final, a escolha entre os dois depende muito mais daquilo que se procura do que da ficha técnica.
Leia ainda: Mercedes encontra solução inesperada na bagageira para reduzir peso e custos de reparação
O BMW i3 50 xDrive é provavelmente a proposta mais difícil de ignorar para quem faz muitos quilómetros. Por 65.500 euros, oferece 469 cv, tração integral, até 912 km de autonomia e carregamento a 400 kW. É uma combinação particularmente forte.




O Mercedes-Benz Classe C C 400 4MATIC, por sua vez, não tenta necessariamente ganhar ao BMW pela autonomia. A sua prioridade parece ser outra: oferecer uma experiência mais próxima de uma berlina de luxo, com mais espaço, maior conforto, suspensão pneumática, tecnologia e uma qualidade de vida a bordo que pode fazer diferença numa viagem de várias horas.
No fundo, são duas respostas diferentes à mesma pergunta. O BMW quer tornar o elétrico eficiente, rápido e tecnológico; o Mercedes quer fazê-lo confortável, luxuoso e versátil. E é precisamente essa diferença de filosofia que torna este duelo entre os dois novos rivais alemães tão interessante.