O futuro Tesla Roadster promete levar o desempenho dos automóveis elétricos a outro nível com o chamado SpaceX Package, um sistema de propulsão por jatos de gás que poderá ajudar a acelerar, travar e aumentar a estabilidade do desportivo. Na versão mais extrema, denominada Rocket, a Tesla aponta para uma aceleração dos 0 aos 96 km/h em menos de 0,6 segundos.
Ao contrário do que o nome pode sugerir, o sistema não utiliza foguetes convencionais, combustíveis líquidos ou sólidos, nem envolve combustão. A ideia passa por armazenar ar a elevada pressão e libertá-lo através de bocais estrategicamente posicionados para gerar impulso.

A tecnologia distingue o Roadster de um automóvel elétrico convencional e recorre a soluções inspiradas no universo aeroespacial da SpaceX.
Tesla Roadster: duas versões com propulsores
O sistema estará disponível em duas configurações, denominadas Thrust e Rocket. A diferença está, sobretudo, no número e na distribuição dos bocais de propulsão.
Na versão Thrust, o Roadster contará com quatro bocais de escape instalados sob a matrícula. Na variante Rocket, o número aumenta para dez, com unidades adicionais distribuídas pelas laterais e pela parte inferior do veículo.
Em ambas as configurações, os jatos traseiros poderão contribuir para estabilizar o automóvel e gerar carga aerodinâmica. Ao orientar os bocais para cima, o sistema poderá exercer uma força descendente sobre o veículo, aumentando a pressão dos pneus contra o asfalto e, potencialmente, a aderência em curva.

As saídas dianteiras, por sua vez, poderão gerar impulso no sentido contrário ao movimento, ajudando a reduzir a velocidade. Na versão Rocket, os quatro bocais instalados nos cantos da parte inferior do automóvel deverão permitir um controlo adicional dos movimentos verticais, incluindo manobras que poderão fazer o carro sair momentaneamente do chão.
Estas capacidades fazem parte da proposta anunciada para o Roadster, mas o seu funcionamento e desempenho em condições reais terão de ser demonstrados.
Como funciona a propulsão por ar comprimido?
1. O compressor pressuriza o ar
Um compressor elétrico, alimentado pela bateria de alta tensão do automóvel, aspira ar do exterior e comprime-o a uma pressão anunciada de cerca de 700 bar.
2. O ar fica armazenado em tanques
O ar comprimido é guardado em recipientes COPV, estruturas leves e resistentes reforçadas com fibra de carbono, semelhantes às utilizadas em aplicações aeroespaciais.
3. As válvulas libertam o ar
Quando o condutor ativa o sistema, válvulas abrem e libertam rapidamente o gás através dos bocais. A expulsão do ar numa direção produz uma força na direção oposta, de acordo com o princípio da ação e reação.
4. O impulso ajuda a controlar o automóvel
Dependendo da orientação dos bocais, a força gerada poderá contribuir para a aceleração, a desaceleração ou o controlo da posição da carroçaria.
A grande diferença em relação a um foguete convencional é que não existe uma reação química de combustão a produzir gases quentes. O impulso resulta da libertação de gás previamente comprimido, razão pela qual este tipo de tecnologia é conhecido como propulsão por gás frio.
Quanto tempo demora a recarregar o sistema?
A autonomia de funcionamento dos propulsores dependerá da quantidade de ar armazenada nos tanques e da intensidade e duração de cada utilização.
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Segundo a informação divulgada pela Tesla, o compressor demorará entre 15 e 20 minutos a voltar a encher os reservatórios depois de estes serem esvaziados.

Há, contudo, questões importantes por esclarecer. A marca ainda terá de demonstrar quanto tempo os tanques conseguem fornecer impulso em utilização efetiva, qual o consumo elétrico necessário para os voltar a pressurizar e que impacto terá esse processo na autonomia do automóvel.
Também será necessário perceber como o sistema gere a pressão, a temperatura e a repetição de solicitações intensas, sobretudo quando é utilizado para travagens ou manobras consecutivas.
Um automóvel elétrico que também funciona como um foguetão?
A designação pode sugerir algo mais próximo de um veículo espacial, mas o princípio é relativamente simples: armazenar energia sob a forma de ar comprimido e libertá-la rapidamente para gerar força.
O desafio está em conseguir que um sistema deste tipo seja suficientemente compacto, leve e eficaz para justificar a sua utilização num automóvel de estrada. Os tanques, o compressor, as válvulas e os bocais ocupam espaço e acrescentam complexidade, pelo que o benefício real dependerá da forma como todo o conjunto for integrado.













A Tesla tem anunciado prestações extraordinárias para o Roadster, incluindo a aceleração dos 0 aos 96 km/h em menos de 0,6 segundos na configuração Rocket. No entanto, esse valor e as capacidades dos propulsores devem ser encarados como objetivos anunciados, e não como resultados de um modelo de produção já comprovados de forma independente.
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Se a tecnologia chegar à versão final com as capacidades prometidas, o Roadster poderá tornar-se num caso invulgar na indústria automóvel: um desportivo elétrico que utiliza motores convencionais para se deslocar e jatos de ar comprimido para acrescentar uma nova dimensão ao desempenho.